Da Nova Zelândia um bom exemplo 

Uma boa crise faz e desfaz líderes. Em Portugal, onde gostamos de não gostar de políticos, temos estado bem entregues. Nem tudo tem sido bom, nomeadamente na frente da prevenção (aqui como em quase todo o lado – menos Taiwan e pouco mais). Mas depois de a crise ter começado as coisas correram de modo seguro. Podemos gostar mais ou menos de tanto confinamento, do abandono dos lares, da escassez de testes, da dificuldade em comprar máscaras, mas este é um daqueles casos para os quais não há respostas claras em nenhuma frente (política, sanitária, económica).

Voltando ao princípio: se as crises fazem líderes, o caso mais impressionante de liderança volta a surgir da Nova Zelândia. A primeira-ministra daquele país tem, neste caso como noutros, mostrado uma extraordinária capacidade de fazer o que tem de ser feito, com determinação, segurança, compaixão e genuinidade. Não é a primeira vez que isso acontece. No tiroteio de Christchurch tinha sido igual. A sua inteligência situacional é impressionante.

O caso é revelador de como uma pessoa normal, sem arremedos messiânicos, consegue manter um comportamento equilibrado, não caindo no extremo dos fracos que usam a crise para tirar partido de “teatros de pânico” que eles próprios ajudam a criar (como Bibi, em Israel), nem no extremo da falsa força dos insensatos (como Bolsonaro). A primeira-ministra da Nova Zelândia volta a dar o exemplo e a ser um exemplo. Senhoras e senhores: Jacinda Ardern.

Por: Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

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