Com uma estratégia de comunicação mais ousada do que é habitual, onde depois de levantar o véu do primeiro outdoor publicitário, nestas eleições autárquicas, o candidato do PSD pelo Concelho de Oeiras, Alexandre Poço, aparece na imagem deitado a exibir um ar descontraído e a mostrar as suas meias cor de laranja, com o slogan […]
Com uma estratégia de comunicação mais ousada do que é habitual, onde depois de levantar o véu do primeiro outdoor publicitário, nestas eleições autárquicas, o candidato do PSD pelo Concelho de Oeiras, Alexandre Poço, aparece na imagem deitado a exibir um ar descontraído e a mostrar as suas meias cor de laranja, com o slogan “A dar tudo por Oeiras”, o inesperado (ou esperado) acontece: milhares de partilhas nas redes sociais que fizeram passar o candidato de pouco conhecido fora do seu partido a figura pública. Será isto comunicação, marketing ou é só a política a afirmar- -se de uma forma diferente? A Líder falou com Alexandre Poço, que apesar de afirmar que lhe interessa apenas fazer política, conseguiu, na verdade, fazer também uma campanha de comunicação e mostrar um exemplo de marketing político. Censurável ou não, já caberá a cada leitor avaliar.
Vivemos uma época de profunda transformação e crises, económicas, sociais e ideológicas a acontecer um pouco por todo o Mundo. Os resultados do relatório Freedom in the World, publicado pela Freedom House, no início de 2021, e que avalia o acesso aos direitos políticos e liberdades em 210 países, mostram um preocupante declínio na democracia e liberdade globais, algo que tem vindo a ser continuamente verificado desde 2005. Em 2020, a proporção de países não livres é a maior dos últimos 15 anos. A democracia está em risco?
A democracia exige de todos os cidadãos uma postura ativa na sua defesa, assim como um forte compromisso – individual e coletivo – de que os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos são respeitados e preservados. Não vivemos tempos fáceis para a democracia ou para as liberdades individuais, e há zonas do Mundo onde estes conceitos são pura e simplesmente inexistentes. Temos de ser perseverantes na defesa da democracia, do Estado de direito e das liberdades.
Também em Portugal se verificou uma transformação no sistema partidário, em que conforme o Alexandre referiu numa Carta Aberta “ser moderado começa a ser a posição mais radical e difícil”. Como se vencem os fenómenos do extremismo e do populismo?
As democracias ocidentais encontram-se cada vez mais polarizadas e o debate político e público é feito m muitas situações pela permanente desqualificação e deslegitimação dos adversários. Acredito que o espaço da moderação, com uma postural radicalmente moderada, é a melhor resposta aos problemas da nossa sociedade. O extremismo e o populismo também se vencem com respostas políticas que combatam as suas causas: as injustiças, as desigualdades, a incapacidade de o País gerar riqueza para uma distribuição justa, o combate à pobreza, a garantia de que o elevador social existe e de que a política entrega resultados à população na resolução dos nossos problemas graves de desenvolvimento económico e social.
“A política é a atividade mais nobre que podemos fazer em sociedade”. Esta frase dita por si contrasta em grande medida com a forma como as novas gerações olham para a política e os políticos. Como é possível mudar as mentalidades e combater o descrédito que a política tem para os mais novos?
Cabe a quem está na política demonstrar todos os dias que a política é a atividade mais nobre da sociedade. Como fazer? Com o que defendemos, com as posições que tomamos, com as medidas que adotamos na governação ou que combatemos na oposição. Não há inevitabilidades. Não acredito que estejamos para sempre condenados ao conformismo e à descrença, pelo que temos de não baixar os braços. Precisamos de transformar a descrença em ação, de gerar entusiasmo nas pessoas com o que fazemos na política. Infelizmente, não é o que acontece, mas as novas gerações que fazem política têm essa responsabilidade: mudar o estado das coisas.
Aos 28 anos foi eleito Presidente da JSD (Juventude Social Democrata), sendo que desde muito novo diz ter um sentido de dever muito forte com a sociedade e uma noção das desigualdades e injustiças. De onde surge esse sentido de quase “missão” quando nessa fase da vida é suposto estar preocupado com outras coisas?
Da infância, do meu contexto familiar, da escola. Senti em casa, muito cedo, o que são as dificuldades diárias que muitas famílias passam. E decidi envolver-me na política também motivado por esse facto, por não me conformar com um País estagnado há vinte anos em que há pessoas e famílias que não conseguem ter uma vida realizada e feliz pelas dificuldades económicas que passam.
Esteve envolvido na publicação do livro 40 Anos, 40 Testemunhos sobre Sá Carneiro, a primeira figura de liderança do PSD, e de um incontestável carisma. Quais os traços na liderança de Sá Carneiro que considera na construção do seu caminho na política?
A perseverança e a determinação, bem como a não conformação com realidades autoimpostas. Nunca desistir, nunca baixar os braços quando o que está em causa é o desenvolvimento do nosso País e a construção de um País decente, justo e moderno.
A política e os políticos podem ser marcas?
Os políticos são pessoas que se propõem à tal atividade nobre que referi em cima, que procuram a adesão de outras pessoas para determinadas ideias, para um projeto político e para a transformação da sociedade conforme os seus ideais.
(…)
A entrevista pode ser lida na íntegra na edição nr15 da revista Líder, já nas bancas.
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