Descarbonização e Inovação são os pulmões da EDP na Sustentabilidade

O Grupo EDP tem pela frente uma verdadeira maratona em torno da Sustentabilidade até 2030. Mas a elétrica portuguesa antecipou há muito a relevância da Sustentabilidade na sua estratégia global e nas práticas do dia a dia, por isso está hoje a bom ritmo para liderar a transição energética.

Vê na Descarbonização e na Inovação os pulmões que darão o fôlego para atingir o compromisso que ambiciona. Para isso, a EDP tem um plano de investimento sem precedentes – em quatro anos, serão investidos 24 mil milhões de euros na transição energética – assentes na nova estratégia 2021-25. 80% deste valor será investido em energias renováveis, através de várias tecnologias – eólica, solar, hidrogénio verde e armazenamento de energia -, com o desenvolvimento de 4GW por ano e duplicando a capacidade solar e eólica da empresa até 2025. Esta ambição suportará os compromissos de deixar de produzir a partir do carvão em 2025 e de ser totalmente verde em 2030, antecipando em 20 anos a metas de ser uma empresa sem impacto nas emissões de carbono.

De facto, é uma das empresas mais sustentáveis no mundo, vários rankings o comprovam, e a estratégia global de Sustentabilidade materializa-se em diversas frentes, alinhadas com nove dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. É a estratégia, aliás, que contribui para uma contínua redução das emissões de CO2, para um crescimento acelerado da produção de energias limpas e tecnologias inovadoras, que são aliados fundamentais para uma economia mais forte, mais verde e para um Planeta mais sustentável.

Hoje a EDP conta com perto de 12 mil colaboradores espalhados por 20 geografias, num negócio em constante expansão onde trabalha em toda a cadeia de valor: desde a produção, passando pelo transporte (este em desenvolvimento apenas no Brasil), distribuição e comercialização.

António Castro, Diretor de Risco e Sustentabilidade do Grupo EDP, concentra toda a sua atenção e energia a estes temas. Segundo explicou à Líder, a necessidade de agir tem de ser imediata e de forma holística para resgatar o futuro do Planeta e das comunidades. Está há 42 anos na empresa e conta-nos o grande desafio que tem em mãos: atingir a neutralidade carbónica, seja do ponto de vista corporativo, seja do ângulo do consumidor final.

Consciente do seu papel enquanto agente da mudança, o Grupo tem pela frente um caminho ambicioso, complexo e, claro, sustentável.

87% dos portugueses consideram as alterações climáticas um problema muito sério (superior à média europeia, de 79%), segundo o Eurobarómetro de 2019. Mas nem todos adotam na sua vida medidas para fazer frente a este problema. Como é que conseguimos sacudir consciências coletivas e predispor-nos a fazer alguns sacrifícios no presente a fim de evitar cataclismos naturais?
Sabemos que o mundo tem de mudar, que temos de ser agentes da mudança. A EDP, para além de ter uma estratégia clara de descarbonização da sua atividade de produção, onde 90% da sua produção em 2030 será de origem renovável, está igualmente ao lado do consumidor final. Percebemos que o caminho era criar iniciativas que falassem com as novas gerações, demonstrando que, com pequenos gestos e mudanças de rotinas, podemos realmente fazer a diferença. A nível comercial, a app Geração Zero foi a grande aposta de 2020 – num ano atípico e num contexto de adversidade, desafiámos o consumidor a aproveitar esta pausa ecológica para mudar os seus hábitos, partilhando as suas rotinas em troca de pontos para ter acesso a benefícios em serviços e lojas sustentáveis. Acreditamos que foi um passo importante para mudar a consciência coletiva.

As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Qual é o compromisso da sua empresa perante os ODS?
A EDP está comprometida com 9 dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Pela natureza da nossa atividade, contribuímos ativa e particularmente para os objetivos 7 (Acesso a Energias Limpas e Renováveis) e 13 (Combate às Alterações Climáticas), os quais são parte integrante da estratégia da empresa. Isto materializa-se num compromisso de que 90% da nossa produção de energia e 85% da potência instalada seja renovável até 2030. Já no ODS 13, a grande questão é a de reduzir 90% das emissões específicas e absolutas de CO2 até 2030, face a 2015.

A ação climática é assim uma prioridade?
Sim, a EDP participa neste esforço coletivo de combate às alterações climáticas e assume esse compromisso no espírito de responsabilidade social e empresarial que sempre motivou a empresa e os seus colaboradores. A nossa linha de ação é pautada pela subscrição de diversas alianças precisamente com este objetivo referido. Um dos exemplos marcantes é termos sido a única empresa portuguesa a subscrever a European Alliance for a Green Recovery, uma iniciativa do Comité de Ambiente do Parlamento Europeu que reúne 180 personalidades, com o objetivo de implementar soluções para reativar a economia no pós-crise da COVID-19. Na descarbonização, somos um dos novos membros da Powering Past Coal Alliance (PPCA), a primeira e única aliança global de governos e organizações do setor privado para promover a transição da geração de energia a carvão para energias limpas. Para além desta aliança, a nossa meta de redução em 90% das emissões CO2 até 2030 foi reconhecida pela Science Based Target initiative como estando alinhada com as exigências da ciência climática. Acreditamos que é um contributo fundamental para conter o aumento da temperatura média a 1,5ºC.

Quais são as ambições em concreto? E qual a estratégia para as alcançar?
A estratégia global de sustentabilidade materializa-se em várias iniciativas, projetos e investimentos que são transversais a todo o grupo e que estão alinhadas com os ODS. Mais do que ambições, os objetivos estão bem explícitos na nossa estratégia 2019-22 (Strategic Update): na área das energias renováveis, temos 75% do investimento canalizado para a instalação de nova capacidade de origem renovável, com destaque para o eólico (onshore e offshore) e o solar fotovoltaico, repartido por diferentes geografias – América do Norte (40%), Europa (30%) e América do Sul (30%). Até 2022, pretendemos instalar mais 5,2 a 5,8 GW de parques eólicos e 1,5 a 2 GW de parques solares.
Na procura de soluções para os clientes e na gestão de energia, dirigimos 5% do investimento, por um lado, para uma estratégia ativa de gestão de energia que suporte criação de valor e mitigação de riscos e, por outro, no incremento de ofertas de novas soluções de produtos e serviços de energia para os nossos clientes, incluindo o solar descentralizado e a mobilidade elétrica. Esta última é, aliás, uma área de atuação onde reforçámos os nossos compromissos, como o de instalar 100 mil pontos de carregamento elétrico até 2030 (Inclui postos de carregamento privados, privados de acesso público e públicos em todo o grupo EDP).
Não nos podemos esquecer da parte social, onde o Fundo A2E é um projeto importantíssimo para as comunidades envolventes, num mundo em que cerca de 789 milhões de pessoas ainda não têm acesso à eletricidade e cerca de 2,8 mil milhões de pessoas dependem de madeira, carvão ou resíduos agrícolas para cozinhar e para aquecimento. Nas duas primeiras edições foram escolhidos 13 projetos, que impactaram mais de um milhão de pessoas em países como Moçambique, Quénia, Tanzânia ou Nigéria.


Vai ser necessário reinventar modelos de negócios? Quais são as mudanças que terão de ser implementadas?
Há muitos anos que a EDP endereça este tema internamente. Desde 2004 que tem publicados os seus Princípios de Desenvolvimento Sustentável, a serem aplicados desde então. Liderar a transição energética sempre foi um objetivo e foi nesse sentido que o negócio se foi construindo e desenvolvendo sendo hoje reconhecidamente um exemplo entre as companhias de maior dimensão a nível global. A eletrificação da economia está perfeitamente identificada como uma necessidade absoluta no contexto de uma descarbonização acelerada e, portanto, estamos sempre atentos à mudança, mas com o foco em atingir as metas estabelecidas no Plano Nacional Energia e Clima 2030 (PNEC) e no Roteiro de Neutralidade Carbónica 2050 (RNC).

Que métricas já foram alcançadas?
O reconhecimento das boas práticas e da nossa estratégia de sustentabilidade é a inclusão em índices ESG (Environment, Social, Governance) de referência como o Dow Jones Sustainability Index: num ano recorde em participações de empresas de todo o mundo, voltámos a ser classificados como uma das empresas mais sustentáveis do mundo e uma das melhores utilities integradas do mundo. É também a única companhia portuguesa no índice há 13 anos consecutivos. Outro reconhecimento foi a inclusão da EDP Renováveis no índice Global Challenges (GCX) como uma das empresas que mais promove o desenvolvimento sustentável através dos seus produtos e serviços à escala global. Ou, mais recentemente, ao ser uma das selecionadas para integrar o Bloomberg Gender Equality Index (índice de Igualdade de Género Bloomberg), um índice de referência que seleciona as empresas cotadas mais envolvidas no desenvolvimento da igualdade entre homens e mulheres a nível mundial. No entanto, mais importante do que cumprir métricas, é reconhecer que contribuímos para uma contínua redução das emissões de CO2, para um crescimento acelerado da produção de energias limpas e tecnologias inovadoras, que são aliados fundamentais para uma economia mais forte, mais verde e para um Planeta mais sustentável.

Em que ponto está o vosso setor nesta matéria? Que análise faz da sua evolução?
O setor da energia é um dos que mais tem investido na reconversão dos seus sistemas de produção e numa maior eficiência energética. Um dos grandes desafios que temos pela frente é, sem dúvida, o da descarbonização, não apenas na área da produção de energia elétrica, onde o caminho é claramente orientado para as renováveis, mas também em áreas como a do petróleo e gás, para as quais há que encontrar alternativas que minimizem o seu impacto ambiental. A evolução poderá estar, na próxima década, na velocidade de penetração de gases renováveis como o hidrogénio, quando produzido a partir de eletricidade verde, uma solução que poderá complementar a eletrificação da economia, em setores onde esta não é viável.

Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
O combate às alterações climáticas é uma emergência global – precisamos de agir já e muito rapidamente se queremos resgatar o futuro do planeta e das comunidades. Por isso, não há como ignorar a relevância da sustentabilidade na nossa estratégia global e nas nossas práticas do dia-a-dia. Esta é uma tendência que a EDP antecipou há muito e, por isso, hoje está melhor preparada para liderar a transição energética e mobilizar outros agentes da sociedade para essa necessidade. É positivo este tema estar na ordem do dia, também pela pressão exercida por diferentes movimentos sociais para que os líderes mundiais lhe deem prioridade.

Como é vista a empresa em Portugal dentro do grupo à luz da Sustentabilidade?
A estratégia de sustentabilidade da EDP não é exclusiva para Portugal, Brasil, Espanha, EUA ou qualquer outro país onde esteja presente: é uma estratégia global e reconhecida por todos como necessária, urgente e positiva. Ou seja, todos partilhamos o mesmo alinhamento e motivação para fazer a diferença em qualquer geografia onde estamos presentes. É, no fundo, o reflexo da forte cultura interna de pertença que desenvolvemos ao longo destes anos.

Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
O grupo EDP tem diversos departamentos de Sustentabilidade focados nas diferentes particularidades e desafios de cada empresa e geografia onde estamos presentes, mas sempre alinhadas com a estratégia global que defendemos.

Quais são agora os próximos passos?
Reconhecemos que a transição energética é um processo longo numa corrida contra o tempo. Um dos próximos objetivos é o de criar uma estratégia do grupo EDP para a Economia Circular, uma das tendências desta área para o ano de 2021.  Assegurar que todos os novos projetos com impactes ambientais significativos são “No Net Loss” em 2030 e que não são construídos ativos de geração nos chamados “Natural World’s Heritage Sites” são alguns dos passos a tomar na área da biodiversidade, num ano em que se inicia a Década da Restauração dos Ecossistemas. A nível financeiro, em 2018 emitimos green bonds pela primeira vez com sucesso, o que significa que o avanço da importância do financiamento verde deverá (e continua a) estar presente também neste caminho.

E quais as prioridades desta área?
Para além do que já foi referido, estamos atentos à diretiva obrigatória já a partir deste ano sobre a eficiência energética nos edifícios, bem como o alinhamento com a revisão das novas leis de Direitos Humanos anunciadas para o Pacto Ecológico Europeu. Continuamos, e num ano particularmente agravado pela pandemia, com uma política e ambição de eliminar os acidentes fatais de colaboradores e prestadores de serviço, até 2022.

Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
Entre vários contributos, queremos reforçar a nossa oferta de soluções de baixo carbono, de eficiência energética, de solar descentralizado ou de mobilidade elétrica. A nível de sensibilização criámos, em 2020, uma campanha de comunicação interna intitulada “Década Decisiva” através da qual desconstruímos diversos temas da área da Sustentabilidade com artigos de fundo e dicas práticas para os colaboradores, porque acreditamos que a partilha de conhecimento e mudança de mentalidade começa cá dentro. No início deste ano, extrapolámos esta campanha para o público externo sob o mote “É agora ou nunca” onde definimos nove temas para falar durante nove meses, todos relacionados com a sustentabilidade: podcasts com especialistas na matéria e mediados pela Catarina Barreiros, exemplos reais de famílias sustentáveis e dicas práticas para o dia-a-dia. Acreditamos que, com este tipo de ações, estamos a ajudar a mudar mentalidades por um futuro que tem de ser positivo.

Pode partilhar algumas recomendações para tornar as empresas e os negócios sustentáveis?
A garantia das boas práticas da sustentabilidade começa com o reconhecimento da sua importância pelos órgãos de gestão de topo e exige uma abordagem de longo prazo – perceber as tendências de mercado e o benefício que daí advém. Relembro que apostamos desde 2006 numa estratégia de sustentabilidade assente nas energias renováveis quando mais ninguém o fazia. Assumir compromissos públicos, assegurar um acompanhamento próximo do seu nível de cumprimento e, de forma transparente, reportar regularmente os seus resultados, clarifica o rumo a seguir e gera confiança na empresa. Estas podem ser algumas linhas orientadoras para quem quer seguir este caminho.

Por TitiAna Amorim Barroso

Nota: A entrevista foi realizada uma semana antes da apresentação do novo Plano Estratégico 2021-2025, a 25 de fevereiro.

Artigos Relacionados: