Embora a população ativa feminina tenha atingido um recorde histórico de 2,8 milhões de mulheres no último trimestre de 2025, representando um crescimento de 2,6% face ao ano anterior, as barreiras estruturais permanecem evidentes.
A taxa de desemprego feminina (6,5%) continua a ser superior à dos homens (6%), refletindo dificuldades persistentes na integração plena do talento feminino e evidenciando uma maior dificuldade na absorção do talento feminino pelo mercado laboral.
No âmbito do Dia Internacional da Mulher, celebrado a oito de março, a Claire Joster People first, empresa do Grupo Eurofirms People first, especializada em Executive Search, analisou os indicadores mais recentes do mercado laboral português.
O fosso salarial e as barreiras no acesso à gestão
A remuneração continua a ser um dos principais campos de desigualdade, com as mulheres a ganharem, em média, 15,4% menos do que os homens.
Este desequilíbrio é particularmente crítico em funções onde a desigualdade de género é mais acentuada: nos postos de operação de instalações e máquinas, as mulheres ganham menos 25%; nas funções de técnicos e profissões de nível intermédio, a disparidade é de 22,3%; já nos cargos de direção e gestão, a diferença salarial atinge os 18,7%.
Dinamismo regional: Madeira e Centro lideram crescimento
O aumento da participação feminina no mercado de trabalho revela um país a várias velocidades, com a Região Autónoma da Madeira e a região Centro a registarem os crescimentos mais expressivos da população ativa feminina no último trimestre de 2025, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respetivamente. Por sua vez, o Algarve registou um crescimento de 3,9% e a Grande Lisboa 3,2%, mantendo uma trajetória de subida sólida. Em contraste, apresenta-se com um ritmo mais moderado o Alentejo, com aumento de 1%, e o Norte, na ordem de 0,8% de crescimento.
Apesar destas variações, os dados do INE confirmam que Portugal caminha para uma representação paritária em termos de volume de força de trabalho em quase todo o território. Atualmente, a média nacional de mulheres na população ativa fixa-se nos 49,5%, sendo que em regiões como a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve as mulheres já representam metade ou a maioria da população ativa.
Este cenário de equilíbrio quantitativo acentua o contraste com as desigualdades que persistem ao nível qualitativo, nomeadamente na remuneração e no acesso a cargos de decisão.
Quebra de estereótipos: Construção e Imobiliário em crescimento
A análise revela também uma mudança gradual na distribuição ocupacional. Se, por um lado, as atividades de saúde humana e apoio social continuam a ser o principal empregador feminino, representando 16,7% do total de mulheres empregadas, verificam-se subidas expressivas em áreas tradicionalmente masculinas.
A presença feminina no setor da construção disparou 22,2% e nas atividades imobiliárias cresceu 16,9%, sinalizando uma nova dinâmica na ocupação de funções habitualmente segregadas.
Para Sílvia Coelho, National Leader da Claire Joster em Portugal, «os números recorde de participação feminina são positivos, mas o fosso salarial e a menor presença em cargos de gestão a nível nacional mostram que o progresso é lento». «No entanto, na Eurofirms, apresentamos 81% de liderança feminina, demonstrando que a competência não tem género e que a equidade é um pilar fundamental para o sucesso e sustentabilidade de qualquer organização», reforça a National Leader.



