Um novo estudo da International Workplace Group (IWG), realizado em parceria com a consultora Arup, conclui que o trabalho híbrido pode reduzir as emissões de carbono associadas às deslocações profissionais até 90%. A principal razão é simples: permitir que os trabalhadores exerçam funções mais perto de casa diminui significativamente as viagens diárias, sobretudo para escritórios localizados nos centros das grandes cidades.
A investigação analisou o impacto ambiental de diferentes modelos de trabalho em seis cidades dos Estados Unidos e do Reino Unido, tendo em conta tanto as emissões associadas aos edifícios como às deslocações. Os resultados apontam para reduções expressivas sempre que os trabalhadores deixam de se deslocar diariamente para um escritório central. Hoje, Dia Mundial da Terra, a Líder explica como as empresas com ações concretas conseguem fazer diminuir a pegada carbónica.
Nas cidades norte-americanas, onde a dependência do automóvel é mais elevada, o potencial de redução é particularmente significativo. Atlanta surge no topo da lista, com uma diminuição possível de até 90% nas emissões. Seguem-se Los Angeles, com 87%, e Nova Iorque, com 82%. No Reino Unido, as reduções também são relevantes: Glasgow pode alcançar uma queda de 80%, Manchester de 70% e Londres de 49%.
O estudo sublinha que o modelo tradicional — deslocação diária, cinco dias por semana, para escritórios no centro das cidades — é o que gera maior volume de emissões. A distância percorrida é o principal fator de impacto ambiental. Em Londres, por exemplo, as emissões diminuíram 49% quando os trabalhadores dividiram o tempo entre um escritório central e um espaço de trabalho mais próximo de casa. Quando alternaram entre casa e um espaço local, a redução foi de 43%, face ao modelo tradicional.
Deslocações continuam a ser um desafio ambiental
Na Europa, o transporte continua a ser um dos principais desafios estruturais em matéria de emissões. Dados da Agência Europeia do Ambiente indicam que este setor representa cerca de 25% das emissões de gases com efeito de estufa na União Europeia, sendo também o único onde as emissões têm aumentado nas últimas três décadas, em grande parte devido às deslocações casa-trabalho.
Em Portugal, a tendência é semelhante. Segundo o Inventário Nacional de Emissões, o setor dos transportes representou em 2022 cerca de 30% das emissões de gases com efeito de estufa e 35,4% do consumo final de energia. A forte dependência do automóvel continua a marcar os hábitos de mobilidade no país.
Cerca de 66% da população portuguesa utiliza o carro nas deslocações diárias. Em algumas cidades, os valores são ainda mais elevados: em Braga, 75,4% da população depende do automóvel, enquanto em Aveiro e Coimbra a percentagem ronda os 73,8%. Mesmo em Lisboa, onde existe uma rede mais abrangente de transportes públicos, 60,7% das deslocações continuam a ser feitas de carro, segundo dados do grupo EasyPark.
A pressão sobre as grandes cidades é visível. Apenas na Área Metropolitana de Lisboa entram diariamente cerca de 390 mil automóveis, de acordo com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes.
Impacto nas empresas e nos trabalhadores
Para além da redução das emissões, o modelo híbrido apresenta vantagens operacionais para as empresas. Um estudo adicional desenvolvido pela IWG e pela Arup indica que organizações que adotaram este regime conseguiram reduzir o consumo energético em cerca de 19%, graças a uma utilização mais eficiente dos espaços de escritório e à integração de soluções de trabalho flexíveis.
Os benefícios estendem-se também aos trabalhadores. Segundo dados citados pela empresa, o trabalho híbrido pode aumentar a produtividade em cerca de 11% nos Estados Unidos e 12% no Reino Unido. Ao mesmo tempo, contribui para reduzir o stress associado às deslocações diárias e melhorar o equilíbrio entre vida profissional e pessoal — um benefício que alguns estudos equiparam a um aumento salarial percebido entre 7% e 8%.
Mark Dixon, fundador e CEO da International Workplace Group, defende que a redução das deslocações diárias pode ter um impacto ambiental significativo. “Com potencial para reduzir as emissões associadas ao trabalho até 90%, os resultados deste estudo são claros: as deslocações diárias para escritórios no centro das cidades são um dos maiores fatores de impacto ambiental”, afirma.
Segundo o responsável, permitir que as pessoas trabalhem mais perto de casa pode ser uma das mudanças mais eficazes no curto prazo para reduzir a pegada carbónica associada ao trabalho.
A International Workplace Group opera atualmente uma rede com mais de cinco mil localizações em diferentes cidades do mundo, oferecendo espaços de trabalho flexíveis através de marcas como Regus e Spaces. Em Portugal, a empresa conta com mais de 20 centros distribuídos por várias cidades.


