Dois pesos, duas medidas, zero legitimidade

Volto a essa sexta-feira 13 que aconteceu na sexta 9, o dia da decisão do juiz sobre a chamada Operação Marquês. A decisão foi o que se viu: a confirmação das razões dos que se queixam da existência de um sistema de justiça que serve para proteger os ricos da justiça. Esta decisão terá constituído o ponto final nessa discussão. Assunto encerrado até prova em contrário.

Curiosamente nessa mesma sexta a imprensa publicava outra curiosa notícia: que o Fisco ia recuperar o diretor que lançou a operação stop numa rotunda de Valongo para cobrar dívidas fiscais. Acção Sobre Rodas foi o nome dessa operação – confesso alguma inveja de quem pode dar nomes a este tipo de operações. Admito que o lado empreendedor do dito responsável me parece interessante num País que passa a vida a dizer mal dos funcionários, dada a falta deste tipo de empreendedorismo na classe – de que aliás faço parte.

Por outro lado, depois da decisão sobre a Operação Marquês, o Estado perde muita legitimidade para cobrar seja o que for. É de facto incompreensível que crimes de corrupção sejam tratado com tantas cautelas (e tão amáveis prescrições) e que o Fisco se meta à saída de uma rotunda a cobrar dívidas à má fila. Uma possibilidade interessante é meter o dito dirigente numa rotunda do Campus da Justiça. Título da operação: A Cobrar no Sítio Certo.


Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

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