Dominar o humor no trabalho: um guia para líderes

Um artigo da edição de julho-agosto da Harvard Business Review explora o humor em forma de guia prático para líderes, oferecendo orientações sobre como usar essa ferramenta de forma eficaz e que jogue a seu favor no local de trabalho.

O humor e o riso estão intrinsecamente ligados ao estatuto social e ao poder. Um estudo realizado na Suíça por Maurice Schweitzer da Wharton School concluiu que as pessoas que fazem piadas engraçadas e apropriadas têm mais hipóteses de serem indicadas para posições de liderança pelos seus pares.

Ficou ainda claro nessa pesquisa que o vínculo entre humor e estatuto social é tão poderoso que o simples facto de levar alguém a lembrar-se de uma troca de humor com um colega de trabalho muda a perceção que essa pessoa tem do estatuto do colega.

O humor não apenas ajuda as pessoas a ascenderem a posições de topo, mas também as ajuda a liderar de maneira mais eficaz quando lá chegam. Os professores Cecily Cooper (Universidade de Miami), Tony Kong (Universidade do sul da Flórida) e Craig Crossley (Universidade da Flórida Central) descobriram que quando os líderes usavam o humor como uma ferramenta interpessoal, os seus funcionários ficavam mais felizes, o que promovia melhor comunicação e resultava num aumento dos comportamentos de cidadania – ações voluntárias que facilitam a eficácia organizacional. Ou seja, quando os líderes usavam o humor, os colaboradores iam além do que era considerado “o seu dever.”

Por que é que o humor é tão poderoso?  Num estudo para entender o que torna as coisas engraçadas, os investigadores Caleb Warren (Universidade do Arizona) e Peter McGraw (Universidade do Colorado em Boulder) descobriram que o humor geralmente ocorre quando algo é percebido como uma violação benigna.

Conduziram estudos nos quais os participantes foram apresentados a cenários que retratavam alguém a fazer algo bom, como, por exemplo, um saltador de vara terminando com sucesso um salto; uma violação, um saltador de salto falhando e lesando-se gravemente; ou ambos: um saltador de vara falhando, mas não se magoando gravemente.

Os participantes que viram o terceiro tipo de cenário (uma violação e algo bom ao mesmo tempo) foram mais propensos a rir do que aqueles que viram os cenários estritamente bons ou estritamente maus. As coisas parecem engraçadas, concluíram os pesquisadores, quando nos deixam desconfortáveis, mas fazem-no de uma maneira aceitável ou não excessivamente ameaçadora.

Num dos estudos dos autores Brad Bitterly e Alison Wood Brooks, descobriu-se que, independentemente de uma piada ser considerada bem-sucedida ou inadequada, os participantes viam os contadores de piadas como mais confiantes – porque tinham coragem de tentar uma piada.

Projetar confiança dessa maneira leva a um estatuto social mais alto. Também descobriram que as pessoas que violam expectativas e normas de uma maneira socialmente apropriada são vistas como mais competentes e mais inteligentes.

Arriscar com humor
Mas a natureza violadora do humor também é o que o torna arriscado. Piadas que vão muito além da linha da adequação têm o efeito oposto – uma reação “eeeek”. Em vez de pensar que o contador de piadas é inteligente e competente, os observadores pensam: que idiota ou “nem queremos acreditar que ele acabou de dizer isso.”

Embora os contadores de piadas inapropriadas ainda sejam vistos como confiantes, a baixa competência sinalizada por tentativas mal sucedidas de humor pode levar à perda de estatuto.

De facto, a pesquisa de Brad Bitterly, investigador em pós-doutoramento na Universidade de Michigan e Alison Wood Brooks, professora associada de administração de negócios da O’Brien na Harvard Business School, confirma que o humor reprovado é algo que custa caro aos líderes, tornando-os ainda piores do que os líderes sérios e sem humor que não tentam piadas.

Humor no trabalho: dança delicada
O humor no trabalho é uma dança delicada e a investigação sobre o humor ainda está na infância. Os estudiosos estão a receber descrições baseadas em dados de como as pessoas usam vários tipos de humor e se isso funciona ou não.

Mas qualquer regra prática para usar o humor deve incluir uma ressalva: o contexto é importante. A dinâmica da conversação pode variar de cultura para cultura, de pessoa para pessoa e de grupo para grupo.

Esses fatores são difíceis de entender e dificultam – mesmo no momento – saber se uma tentativa de humor foi bem-sucedida ou não. Muitas pessoas riem educadamente, mesmo que algo não seja engraçado ou tenha um gosto agridoce, criando um ciclo de feedback não confiável.

Se não acha que pode fazer piadas no trabalho ou está muito nervoso para tentar, tudo bem. Nem todos temos de ser engraçados, assim como nem todas as tentativas de humor serão bem-sucedidas.

Mas ainda pode incorporar leviandade na sua vida profissional, fazendo algo simples: apreciando o humor de outras pessoas. Seja rápido a rir e a sorrir. Delicie-se com o absurdo da vida e com as piadas que ouve.

Uma vida desprovida de humor não é apenas menos alegre; também é menos produtiva e menos criativa – para si e para as pessoas ao seu redor. Benefícios abundantes esperam por aqueles que vêem o humor não como um comportamento organizacional auxiliar, mas como um caminho central para o estatuto que se pretende alcançar no trabalho.

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