Com taxas de ocupação superiores a 90% e uma faturação em crescimento acima dos 30%, o IDEA Spaces reforça a aposta no mercado português com a abertura de um novo espaço de cowork de 3 mil m² no Parque das Nações, resultado de um investimento de 850 mil euros. Em entrevista, o CEO Diogo Fabiana explica como a procura crescente por soluções flexíveis está a redefinir o conceito de escritório, porque o cowork deixou de ser apenas uma alternativa para se tornar uma infraestrutura estratégica para empresas e quais são os próximos passos de expansão da marca num mercado de trabalho em rápida transformação.
Este novo espaço no Parque das Nações representa uma resposta direta à procura crescente por cowork ou faz parte de uma estratégia mais ampla de crescimento e liderança da marca em Lisboa?
A abertura do nosso novo espaço no Parque das Nações resulta de uma conjugação entre a crescente procura por soluções de cowork e uma estratégia mais ampla de consolidação e liderança do IDEA Spaces em Lisboa. Por um lado, temos registado uma elevada procura e taxas de ocupação superiores a 90%, o que justifica o reforço da nossa capacidade instalada. Por outro, esta abertura integra um plano de crescimento sustentado que tem como objetivo otimizar a oferta e reforçar a experiência da comunidade. O aumento da capacidade, neste caso, o dobro face ao primeiro espaço que tivemos nesta zona da capital, permite-nos também investir em novos produtos e serviços, que acrescentam valor à experiência que já temos vindo a oferecer ao longo dos nossos quase 12 anos de existência.
Quais os indicadores de mercado e tendências de ocupação que sustentaram o investimento de 850 mil euros nesta unidade?
O investimento foi sustentado por indicadores de crescimento do setor e de ocupação dos espaços flexíveis. Segundo o relatório “Beyond the Office: Portugal’s Flexible Work Revolution”, realizado pela Savills, Lisboa e Porto concentram 150.000 metros quadrados e cerca de 20.000 workstations em espaços de cowork e flex offices, o que representa uma taxa de crescimento anual superior a 20% desde 2018. O IDEA Spaces também acompanha esta tendência, com mais de 4.000 membros e cerca de 400 empresas, bem como uma taxa de ocupação superior a 90% nas suas localizações, sendo que algumas já estão a 100%. Estes indicadores, aliados ao nosso aumento de 30% em faturação em 2025, justificam este investimento e a expansão da nossa capacidade. Adicionalmente, o aumento do custo dos escritórios tradicionais e a procura crescente por soluções flexíveis que se tem vindo a verificar nos últimos anos têm reforçado a atratividade destes espaços enquanto alternativas estratégicas para empresas de diferentes dimensões, pelo que esta nova localização pretende também criar uma alternativa completa para as necessidades das empresas.
Que mensagem pretende o IDEA Spaces transmitir ao mercado e à comunidade empresarial portuguesa com a duplicação da área disponível?
Com a duplicação da área no Parque das Nações, queremos transmitir uma mensagem clara de confiança no mercado português e na evolução dos modelos de trabalho flexíveis. Este investimento reflete a nossa ambição de reforçar a liderança no setor, mas também de continuar a inovar na experiência que oferecemos aos membros, ao criar oportunidades de colaboração, networking e bem-estar no trabalho. Ao ampliar a capacidade e diversificar os serviços e experiências, pretendemos, acima de tudo, ser encarados como um parceiro estratégico das empresas, que acompanha o seu crescimento e se adapta às suas necessidades num contexto de transformação do trabalho. Há empresas que estão connosco desde a fundação do IDEA Spaces, e é gratificante olhar para os seus percursos e ver que, no espaço de poucos anos, duplicaram a equipa e que passaram da mesa partilhada para o escritório particular, sempre nos nossos espaços de cowork.
Como se diferencia o IDEA Spaces face à concorrência direta em Lisboa e à crescente oferta de espaços híbridos?
O IDEA Spaces diferencia-se pela combinação entre infraestrutura premium e a personalização da experiência através da empatia, que nos permite um conhecimento profundo sobre as necessidades, motivações e expectativas da nossa comunidade. Mais do que disponibilizar espaço físico, apostamos em construir e alimentar comunidades ativas e em iniciativas que fomentam o networking, a colaboração e o bem-estar dos membros. A flexibilidade da nossa oferta, com soluções que vão de hot desks a escritórios privados e virtual offices, permite responder a perfis muito distintos, desde freelancers a equipas multinacionais. Distinguimo-nos ainda pelo reconhecimento internacional: fomos considerados um dos 100 melhores espaços de cowork do mundo pelo ranking Tallys, pelo quarto ano consecutivo, sendo que somos a única empresa portuguesa abrangida por esta classificação. Além disso, fomos considerados, pelo segundo ano consecutivo, uma das melhores empresas para trabalhar pela Great Place to Work. Estes reconhecimentos resultam do empenho e dedicação contínuos da nossa equipa e refletem uma cultura que valorizamos profundamente. Mais do que distinções, representam a convicção de que é possível crescer e afirmar-nos como uma empresa de referência sem abdicar da proximidade, do espírito de comunidade e da preocupação genuína com o bem-estar das pessoas que fazem parte do nosso dia a dia.
Apesar do crescimento de faturação em 2025, quais os principais riscos financeiros e operacionais associados à abertura de um espaço de 3 mil m²?
Como em qualquer investimento em infraestruturas de grande dimensão, existem riscos financeiros e operacionais a considerar. Entre os principais desafios estão a volatilidade do contexto económico e geopolítico, que pode influenciar decisões de investimento e expansão das empresas. Do ponto de vista operacional, a gestão de um espaço de grande escala também exige adaptação constante às necessidades de diferentes perfis de membros e manutenção de elevados padrões de qualidade, tecnologia e experiência. Reforçámos, por isso, a nossa equipa e os nossos serviços nesta nova localização. Ainda assim, o histórico de crescimento da nossa marca e a procura consistente por soluções flexíveis mitigam estes riscos e reforçam a nossa confiança na sustentabilidade deste novo projeto.
Como avaliam a sustentabilidade do modelo de cowork num mercado em que algumas empresas estão a incentivar o regresso ao escritório tradicional?
O regresso parcial ao escritório tem, na verdade, reforçado a relevância dos modelos híbridos e flexíveis. Com a presença no escritório a ser um requisito de muitas empresas, é natural que os colaboradores valorizem ainda mais o ambiente que as rodeia e, consequentemente, que sejam mais críticos quanto às suas condições. Se passamos cerca de oito horas por dia no escritório, esse escritório deve ser um lugar que preze pelo bem-estar, que cultive a proximidade, e que garanta infraestruturas e serviços essenciais. É isso mesmo que as pessoas encontram no IDEA, sendo que também nos veem como um veículo de empatia, que promove uma experiência mais feliz a todos os colaboradores e membros. Assim, muitas organizações, mesmo com modelo totalmente presencial ou híbrido, procuram hoje soluções alternativas em escritórios flexíveis. Além disso, as empresas não optam por espaços de cowork apenas pela integração numa comunidade. Cada vez mais, as empresas reconhecem que estes espaços funcionam como um gestor de várias despesas e necessidades logísticas associadas a um escritório, como infraestrutura tecnológica e manutenção até serviços de receção, limpeza e gestão de correspondência. Esta centralização permite às empresas libertar recursos e canalizar verbas para melhores condições ou para expansão das suas equipas.
Que novos serviços, formatos de trabalho ou experiências pretende testar neste espaço que possam diferenciar a oferta e reforçar a inovação? O novo espaço foi concebido como um laboratório de inovação em termos de serviços e experiências. Além das áreas de trabalho e escritórios privados, inclui um auditório com capacidade para 60 pessoas, lounge, cafetaria e salas de diferentes dimensões que permitem testar novos formatos de eventos, networking e colaboração. Esta abordagem permite-nos ajustar continuamente a nossa oferta e responder às novas dinâmicas do trabalho híbrido e flexível.
De que forma o novo espaço pretende reforçar a comunidade entre os membros e criar experiências colaborativas que vão além do simples espaço de trabalho?
A comunidade continua a ser o pilar central do IDEA Spaces. O novo espaço foi desenhado para potenciar a interação entre membros através de áreas comuns, eventos, programas de networking e iniciativas que promovem não só a colaboração entre empresas, mas também as relações pessoais e sociais, sempre com uma aposta forte na felicidade. Dinâmicas como almoços partilhados, semanas temáticas e eventos formativos são exemplos das iniciativas que vão continuar a marcar presença na nossa programação e que permitem reforçar o sentido de pertença e criação de oportunidades de negócio. O objetivo é que o espaço funcione como um ecossistema interligado, onde os profissionais podem crescer em conjunto e beneficiar das sinergias que os espaços de cowork, de forma natural, criam.
Como está a cultura do IDEA Spaces a evoluir para acomodar diferentes perfis de membros, desde startups até equipas corporativas, e qual o papel da liderança neste processo?
A cultura do IDEA Spaces é a soma de várias partes que permitem personalizar, partilhar e promover a aprendizagem e crescimento mútuos. Atualmente, acolhemos desde freelancers e startups, até equipas corporativas e multinacionais, o que exige uma abordagem flexível e centrada nas pessoas. A liderança tem um papel fundamental ao promover uma cultura de proximidade, escuta ativa e adaptação constante às necessidades da comunidade. Apesar de os nossos espaços já contarem com milhares de membros, fazemos questão de saber os nomes de todas as empresas que trabalham connosco e pedir feedback regular de forma a perceber se podemos otimizar a sua experiência de algum modo. Este foco na experiência dos membros e no equilíbrio entre bem-estar, produtividade e colaboração tem-nos permitido manter elevados níveis de satisfação e fidelização, mesmo num mercado em rápida transformação.
Depois desta abertura, quais são os próximos passos estratégicos do IDEA Spaces: expansão noutras cidades, novos formatos de espaço ou reforço da presença em Lisboa?
Após a abertura do novo espaço no Parque das Nações, o IDEA Spaces pretende continuar a consolidar a sua presença em Lisboa, mas também retomar o plano de expansão para outras cidades portuguesas e, potencialmente, mercados internacionais. Consideramos cidades como Porto, Braga e Aveiro como estratégicas pela dinâmica empreendedora e capacidade de atração de talento, mas também estamos atentos ao crescimento do segmento além-fronteiras, em cidades como Valência, Madrid ou Paris. Em paralelo, pretendemos continuar a investir em inovação tecnológica, como é o caso do desenvolvimento da app IDEA, a nossa aplicação interna que centraliza vários serviços, e também explorar novas experiências que respondam às evoluções do trabalho híbrido, sempre para reforçar o nosso posicionamento enquanto referência nacional no setor do cowork.



