Durão Barroso: «Precisamos de líderes de qualidade para redefinir a globalização»

Podemos ter uma globalização baseada em valores humanos, questionava ontem José Manuel Durão Barroso no debate sobre “Novo Humanismo” promovido pela escola de negócios AESE. E como podemos pô-la a funcionar para todos? O ex-presidente da Comissão Europeia de 2004 a 2014 e atualmente presidente não-executivo do banco Goldman Sachs International é a favor de uma abordagem multinível, sempre através da cooperação internacional, conciliando as várias agendas e poderes que competem entre si.

Não concorda com as palavras usadas pela ex-primeira ministra britânica, Theresa May, quando no seu discurso após o referendo do Brexit, disse: “se acredita que é um cidadão do mundo, então é um cidadão de lugar nenhum.” Na opinião de Durão Barroso este é um ponto de vista errado.

“Precisamos de trabalhar em conjunto”, defendeu, acrescentando que com a disseminação da COVID-19 temos de apoiar os países em desenvolvimento. E que quando surgir a vacina devemos garantir que todos os países do mundo têm acesso a ela.

“Digo sempre que não sei como vai ser o futuro, pois ainda não está feito, o futuro constrói-se hoje e depende daquilo que fazemos agora”, destacou. E quem tem o futuro nas suas mãos, quem pode redesenhar a globalização são os líderes. “Uma liderança de qualidade é essencial.”

Durão Barroso elogiou ainda o modelo alemão da economia social de mercado e como pode contribuir para a construção de economias abertas, mas com uma forte componente social, colocando o ser humano no centro.

O intelecto não é importante na progressão social
O especialista na promoção do desenvolvimento humano integral e Prémio Nobel da Economia James Heckman foi outro dos oradores do evento online sobre o desafio da globalização e da disrupção tecnológica.

O professor da Universidade de Chicago acredita que o desenvolvimento de competências emocionais e sociais pelos seres humanos é mais importante do que o quociente de inteligência ou QI no caminho para a redução das desigualdades sociais.

“Para promover a inclusão e a mobilidade social há que saber redefinir as competências. Os problemas sociais não se resolvem apenas a entregar dinheiro às pessoas, disse, em referência ao caso dos EUA – “precisamos de mais.”

As competências mais relevantes, aquelas que têm um papel determinante no desenvolvimento das pessoas e das suas vidas ganham-se principalmente no seio da família e da escola, defende o académico, para quem o “caráter é mais importante do que o intelecto.” Muito ênfase é colocado nas licenciaturas, disse, mas “isso é só uma parte do que precisamos para moldar as nossas vidas.”

Defendeu a importância das soft skills, que para si são essencialmente geradas com a aprendizagem familiar. “É a habilidade em responder à mudança e à natureza dos problemas que se revela fundamental no crescimento”, disse para concluir.

A globalização, na perspetiva de Peter Turkson, presidente do Conselho para a Justiça e Paz no Vaticano e também convidado da AESE, tem a vantagem de reduzir distâncias e juntar as pessoas graças às tecnologias de comunicação, mas não é tudo- “a globalização não nos transforma em irmãos”, não nos traz o sentimento de irmandade, defendeu, sublinhado o papel do trabalho na manutenção da dignidade do ser humano.

©site da AESE

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