“É preciso preparar pessoas para empregos que ainda não foram criados”, disse responsável da OCDE

Hoje, o cenário é o seguinte: temos portugueses com altos níveis de escolaridade que saem do país para trabalharem no estrangeiro e ao mesmo tempo empregadores que não encontram as pessoas com o perfil que precisam. Como é que Andreas Schleicher, Diretor para a Educação e Competências da OCDE, vê esta realidade em Portugal?

O responsável participou do Building the Future, evento sobre a era digital organizado pela Microsoft e iMatch, e falou dos desafios de Portugal para a empregabilidade e o desenvolvimento de competências.

“Portugal precisa saber antecipar a evolução das competências, identificar aquelas que pretende automatizar e as que pretende recorrer ao outsourcing.” Há todo um trabalho de previsão que deve ser feito.

Hoje, para o responsável da OCDE, o termo empregabilidade significa “saber preparar pessoas para empregos que ainda não foram criados e preparar as pessoas para resolver problemas que ainda não temos.” É importante pensar nas competências numa perspetiva de longo prazo, na sua aquisição ao longo da vida.

“Portugal investe muito em investigação e desenvolvimento, mas a investigação não se transforma em inovação de repente.” Os empregadores precisam de pessoas que consigam aplicar o conhecimento de novas formas, disse ainda.

A questão não é o que sabemos, mas o que fazemos com o que sabemos. Devemos estar orientados não tanto para as credenciais, mas mais para o desempenho profissional e a aplicação das competências.

Mas, notou, essas competências devem ser as adequadas para a função e a empresa. “Em Portugal o grau de adequação entre o que o que as empresas precisam e as competências que as pessoas têm é baixo.”

Na sua opinião, há uma desconexão entre os governos e as pessoas, entre a tecnologia e as necessidades socias. A educação não é a culpada de tudo, mas pesa na equação.

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