Aconteceu esta semana o MONDIACULT 2025, um encontro que reuniu mais de 150 ministros da cultura com o propósito de definir uma agenda global para a cultura para os próximos anos. Entre várias conclusões, destacou-se a apresentação do primeiro Relatório Global sobre Políticas Culturais da UNESCO, intitulado Culture: The Missing SDG, que culminou com o […]
Aconteceu esta semana o MONDIACULT 2025, um encontro que reuniu mais de 150 ministros da cultura com o propósito de definir uma agenda global para a cultura para os próximos anos. Entre várias conclusões, destacou-se a apresentação do primeiro Relatório Global sobre Políticas Culturais da UNESCO, intitulado Culture: The Missing SDG, que culminou com o reconhecimento da cultura como um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, marcou presença no evento, reforçando a posição de Portugal na valorização da cultura.
«A cultura deve ser encarada como um bem público global, acessível a todos e encarada como um investimento estratégico para o futuro. É essencial reforçar a cooperação internacional para que a cultura continue a unir países e a inspirar novas soluções para os desafios do nosso tempo», afirmou, num vídeo publicado no Instagram.
A governante acrescentou ainda que é crucial garantir «uma transição digital ética e inclusiva, que respeite os criadores, valorize a diversidade cultural e assegure que a IA é usada de forma responsável». «Tudo isto porque a cultura é o que nos une e o que nos dá identidade», concluiu.
Este evento consiste na Conferência Mundial da UNESCO sobre Políticas Culturais e Desenvolvimento Sustentável (Mondiacult 2025) e decorreu entre 29 de setembro e 1 de outubro, no Centro de Convenções Internacional de Barcelona (CCIB). Esta é a terceira edição da conferência, depois das realizadas no México, em 1982 e 2022.

Um passo histórico na valorização da cultura
«Os direitos culturais devem ser garantidos para todos — e respeitados por todos.» Este é um dos motes que pauta as motivações da UNESCO para a conferência cultural e que esteve presente ao longo de todo o evento.
Entre os temas centrais estiveram áreas como direitos culturais, cultura e digitalização, cultura e educação, economia da cultura, cultura e ação climática, cultura, património e crises, bem como dois eixos transversais de destaque: cultura e inteligência artificial e cultura e paz.
O Ministro da Cultura espanhol e presidente anfitrião do evento, Ernest Urtasun, deixou claro como foram atingidos os objetivos. «Tem sido mais do que um fórum de diálogo. Enviámos uma mensagem ao mundo em defesa do multilateralismo, como instrumento de cooperação internacional face aos ataques aos direitos internacionais», disse, citado pelo El País.
No evento, foram ainda incorporadas nos documentos finais as conclusões resultantes das consultas regionais realizadas entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025. Essas consultas permitiram adaptar recomendações às especificidades locais, reforçando mecanismos de cooperação e coordenação entre as nações, de modo a garantir que políticas culturais reflitam pluralidade e diversidade territorial.

Financiamento, juventude e tecnologia
Outro foco central foi o tema do financiamento, governança e indicadores culturais. A conferência defendeu a criação de mecanismos públicos e privados para financiar iniciativas culturais, bem como o estabelecimento de indicadores mensuráveis de cultura e estruturas de governança robustas que integrem a cultura às estratégias nacionais de desenvolvimento.
No campo da inovação, a conferência reconheceu o potencial disruptivo da inteligência artificial e das plataformas digitais para o setor cultural, mas alertou para riscos de desigualdade, fragilidade na proteção dos direitos autorais e o perigo de concentração de poder tecnológico e arquivístico centralizado.
Esta edição da MONDIACULT contou também com a participação de representantes da sociedade civil e com a Mondia Youth, uma conferência paralela que reuniu mais de 60 jovens de todo o mundo para colocar a juventude no centro do debate cultural que vão um dia herdar.
Em momentos de crise — sejam humanitárias, conflitos ou desastres climáticos — a conferência reafirmou que a cultura é um pilar de resiliência e um instrumento para preservar memória, promover diálogo e fortalecer coesão social.
A Arábia Saudita é o próximo destino desta cimeira, que acontece em 2029.
Foto destaque: Mariana Valle Lima / GMCJD / Instagram Margarida Balseiro Lopes
Fotos texto: UNESCO



