E se lhe dissermos que já é possível cultivar alimentos em Marte?

Poder vir a cultivar alimentos para consumo humano noutro planeta já não é um sonho. Uma experiência que contou com a ajuda de crianças do Reino Unido e foi publicada na revista Life, veio mostrar que está cada vez mais próxima a possibilidade de virmos a cultivar alimentos noutro planeta.

Hoje, já sabemos que as sementes de salada enviadas para o espaço pela Estação Espacial Internacional (ISS) crescem apenas um pouco mais devagar quando voltam à Terra. A descoberta surgiu depois de dois quilos de sementes de rúcula terem passado seis meses a bordo da ISS com o astronauta britânico da Agência Espacial Europeia (ESA), Tim Peake, como parte da sua missão denominada Principia. Nestas condições, as sementes poderiam absorver até 100 vezes mais radiação do que na Terra e estariam sujeitas a intensas vibrações e tensões próprias das viagens espaciais.

Quando em 2016 as sementes voltaram à Terra, 600 mil crianças de escolas e grupos no Reino Unido participaram numa experiência apoiada pela Agência Espacial do Reino Unido em que plantaram as sementes e vigiaram o seu crescimento, comparando-o com o das sementes que tinham ficado em Terra.

A Royal Horticultural Society (RHS) pôs 8600 escolas e grupos de crianças britânicas a fazerem o controlo do estudo e a documentar os seus resultados, tal como um cientista o faria. Este programa fez parte do projeto Rocket Science, dirigido pela campanha de jardinagem nas escolas da RHS, em parceria com a Agência Espacial do Reino Unido.

Os resultados mostraram que, embora as sementes espaciais crescessem mais lentamente e fossem mais sensíveis ao envelhecimento, ainda assim eram viáveis. Esta experiência, liderada pelos professores Gerhard Leubner e Jake Chandler, ambos investigadores do Departamento de Ciências Biológicas da Royal Holloway, um centro de investigação público ligado à Universidade de Londres, junto com o professor Alistair Griffiths da RHS, ainda concluiu que, tomando medidas adequadas para proteger as sementes no seu desenvolvimento, é possível cultivar plantas no espaço ou noutro planeta para os humanos comerem.

“Quando os humanos viajam para Marte precisam de encontrar formas de se alimentar. Esta pesquisa ajuda-nos a entender parte da biologia do armazenamento e da germinação de sementes, vital para futuras missões espaciais”, disse Tim Peake. Para Alana Cama, a responsável pelos programas para as escolas da RHS, a experiência Rocket Science abriu uma janela para a biologia espacial e permitiu que os jovens estivessem na frente da investigação e da inovação.”

Credit RHS2

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