Economias europeia e mundial vivem “recuperação a duas velocidades”

A recuperação económica da zona do euro terá abrandado em setembro com indícios crescentes de divergência em setores e entre países do bloco, à medida que o coronavírus volta a impor algumas restrições nas atividades. Os serviços na Alemanha pouco cresceram em setembro mas a forte produção industrial ajudou o setor privado da maior economia da Europa a manter um sólido caminho de recuperação. Já em Espanha o setor dos serviços afogou-se ainda mais, empurrado pelas restrições das viagens na época áurea do turismo do país e a atividade empresarial francesa caiu pela primeira vez desde junho. Os receios de um ressurgimento em força do coronavírus será a principal preocupação dos decisores políticos, depois da economia da Zona Euro ter contraído 11,8% no segundo trimestre.

Em termos mundiais esta discrepância de ritmos de recuperação também é notória e está a gerar preocupação entre as maiores organizações internacionais. Reunidos na África Summit, um encontro liderado por Angel Merkel em Berlim, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (BM) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) alertaram que a recuperação “a duas velocidades” da crise do novo coronavírus ameaça deixar para trás os países em vias de desenvolvimento. Os líderes destas instituições, justificaram esta divergência com um acesso desigual à vacina contra o novo coronavírus e às dificuldades dos países emergentes e em vias de desenvolvimento em manterem as ajudas à economia.

O FMI sublinhou que as última previsões do Fundo são otimistas, mas que as médias ocultam tendências preocupantes, uma vez que “as divergências se agravam e aprofundam”. Para este ano, o FMI espera um crescimento médio global de 6%. Mas, desde que publicou esta previsão, as perspetivas para os países industrializados “melhoraram”, enquanto para a maioria dos emergentes se “agravaram”. Este desiquilibrio tem três riscos: que os países emergentes fiquem para trás, que se percam os avanços recentes na luta contra a pobreza e que estes países tenham de interromper as ajudas públicas à economia por falta de dinheiro. É por isso considerado como “importante” que os países industrializados mantenham os estímulos e que não os retirem nem “depressa” nem “de forma repentina”. Neste encontro foi ainda sublinhado o nível de incerteza que as economias atravessam por causa das variantes da pandemia, realçando que nesta fase “a recuperação é tudo menos segura”. A OMC prevê que o comércio internacional cresça 8% este ano e 4% em 2022, se bem que com diferenças importantes entre países e setores.

 

 

 

 

 

 

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