Efeitos da Pandemia no comportamento dos consumidores – o que veio para ficar

Recentemente publicado, o relatório do estudo da EuroMonitor International “COVID-19 Survey: 2020, a year in review”, considera os quatro principais setores da sociedade onde o impacto da crise pandémica provocada pelo novo coronavírus foi por demais evidente: trabalho remoto, inovação digital, sustentabilidade e comportamento dos consumidores.

Com os casos de infeção, e mortes, por COVID-19 ainda em ascensão pelo mundo, são inevitáveis as mudanças na economia, estilos de vida e negócios. A recessão económica irá aumentar o desemprego, as desigualdades sociais e económicas bem como a redução dos gastos dos consumidores.

Em águas desconhecidas para todos, irão melhor navegar as empresas e negócios que ofereçam uma experiência online satisfatória e flexibilidade no trabalho remoto, com a inovação digital, à medida que nos aproximamos lentamente de um novo normal, a desempenhar um papel crucial na resposta às novas necessidades dos consumidores.

Perspetivando o futuro, e-commerce, digitalização, trabalho remoto e uma maior sensibilidade para as questões sociais vieram para ficar e as empresas esperam que os efeitos da crise sejam sentidos a longo prazo.

Através de três pesquisas realizadas em abril, julho e outubro de 2020, junto de mais de 11 mil profissionais, o estudo procurou perceber de que forma a Pandemia está a afetar as empresas em todo o mundo, e como as atividades, medidas e ações das empresas mudam à medida que a Pandemia, e respetivas respostas, evoluem.

O perfil do consumidor no futuro pós-COVID

A principal conclusão quanto aos comportamentos de consumo é a de que os novos hábitos adquiridos durante a Pandemia, e que levaram milhões de pessoas a optar pelos canais digitais para fazer compras, serão permanentes, deixando bem clara a ideia de que o comércio online veio para ficar.

Num espaço de 6 meses, entre abril e outubro, houve um aumento das intenções de mudança de canal de compra para o online de mais de 25% dos inquiridos, admitindo ser uma mudança a longo prazo, e não apenas temporária, e cerca de 45% acredita que o declínio das compras em lojas físicas seja permanente.

Se por um lado, as empresas continuam a investir e a desenvolver estratégias de e-commerce de maneria a melhor interagir com os consumidores e oferecer uma boa experiência de compra, os canais de venda direta ao consumidor estão a dar incentivos e apoios aos pequenos lojistas e marcas sem capacidade de investir no online, permitindo que alcancem um público mais amplo que não depende da proximidade física.

Por sua vez, os consumidores que ainda se dirigem às lojas querem ter uma experiência rápida e segura, o que levou os retalhistas a apostar na tecnologia com pagamentos sem contato, pontos de contato digitais e vestiários virtuais ao mesmo tempo que reconfiguram o layout das lojas para criar espaço para o distanciamento social e distribuição de pontos de higienização.

Quando ao impacto da Pandemia nos hábitos sociais, ficar em casa tornou-se a nova saída à noite, e essa será uma mudança também duradoura. O número de inquiridos que antevê uma redução nas saídas para restaurantes, bares ou outras ocasiões como ir ao cinema, teatro ou um concerto, aumentou ao longo dos seis meses do estudo, esperando-se agora que os consumidores gastem mais tempo em casa e a socializar virtualmente. O estilo de vida do consumidor irá assumir uma nova realidade que resulta da combinação entre o digital e físico, fazendo as suas escolhas de quando participar em ocasiões, pessoal ou virtualmente, conforme as suas rotinas diárias.

Outra consequência da Pandemia foi a mudança das prioridades nos gastos das famílias, agora mais focada na saúde e na casa. Há uma tendência crescente por parte dos consumidores no investimento nos seus lares, uma vez que mesmo após as vacinas, afirmam querer continuar a ficar em casa. As poupanças que foram feitas em viagens bem com no vestuário, acessórios e produtos de beleza, libertou disponibilidade financeira agora canalizada para remodelações, novo mobiliário e investimento nas zonas exteriores. O risco ainda latente da infeção pelo COVID-19 levou também a um aumento de gastos na área da saúde, com enfoque na prevenção da doença e no bem estar físico e mental. Esta poderá ser uma oportunidade para que negócios e marcas criem uma oferta de produtos e serviços que melhorem o sistema imunitário e aliviem o stress e a ansiedade.

Foi também inevitável a drástica redução do uso de transportes públicos, que se espera vir a perdurar, levando ao uso preferencial do veículo próprio não só pela questão da segurança nos grandes centros urbanos, como pela mudança dos consumidores das cidades para locais rurais onde são mais necessários os carros. A longo prazo esta tendência irá crescer, impulsionada pelo aumento das opções de modelos elétricos e híbridos, observando ainda a preocupação com o impacto no meio ambiente.

Dizimado pelo COVID-19, o sector das viagens levará tempo a recuperar e a forma de reconquistar os consumidores deve-se basear em experiências de viagem seguras, com distanciamento social e processos sem contato, bem como socialmente mais responsáveis e sustentáveis ​​e com o mínimo impacto possível.

A médio prazo, espera-se que as pessoas viajem menos, não só devido às preocupações com a segurança em viagens internacionais, e redução dos gastos com as férias, em resultado da perda de empregos e da recessão global, mas também pelo desejo de contribuir para a economia dos seus países, apoiando as comunidades locais e os seus negócios.

 

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