Eleições em tempo de coronavírus e recessão

Os investidores que avaliam as perspetivas para os mercados americanos estão a enfrentar duas forças opostas: a recessão provocada pelo surto da COVID-19 e as eleições presidenciais.

A velocidade e a profundidade da recessão causaram um grande estrago na estratégia original de Donald Trump de fazer campanha numa economia muito forte. Infelizmente para Trump, nenhum presidente em exercício, exceto Calvin Coolidge, em 1924, ganhou a reeleição quando houve uma recessão nos 24 meses que antecederam o dia da votação.

A empresa de consultoria em fundos de investimento Fidelity vê Trump a implementar uma estratégia dupla para tentar vencer: primeiro, re-escalar a guerra comercial e tocar na retórica contra a China para posicioná-la como um bode expiatório da recessão; e segundo, garantir que a Economia esteja em pleno andamento antes de novembro.

Muitos investidores chegaram a 2020 a acreditar que os grandes problemas entre os EUA e a China já tinham ficado para trás depois de o acordo comercial ter sido assinado no ano passado. No entanto, a recessão causada pela COVID-19 mudou tudo.

Trump assinou esse acordo para proteger a economia dos efeitos negativos da guerra comercial, mas a questão mudou. Estudos de opinião recentes mostram claramente que a maioria dos americanos culpa a China pela pandemia global, o que deu ao governo Trump um bode expiatório perfeito.

Mas Trump sabe que simplesmente culpar a China não será suficiente para vencer a reeleição e que também precisa que a Economia tenha uma forte recuperação até novembro. Esse movimento significa que a Economia dos EUA recuperará mais rapidamente no curto prazo, mas o risco de uma segunda ou terceira onda de infeções também aumenta.

O presidente está a receber uma enorme ajuda da Reserva Federal americana, que se comprometeu com políticas não convencionais, como “dinheiro de helicóptero” e “quantitative easing”.

As medidas excecionais do Congresso significam que as torneiras fiscais também foram abertas como nunca antes, já que alguns trabalhadores estão a receber subsídios de desemprego superiores aos salários que receberiam se voltassem ao trabalho. Como resultado, a taxa de poupança das famílias subiu acima de 30%, que é a taxa mais alta em pelo menos 60 anos.

Nesse cenário, a Fidelity mantém a sua abordagem de compra de ações de crescimento de longo prazo que podem ter um bom desempenho em vários cenários macroeconómicos. Também tem aumentado lentamente as cíclicas, comprando em baixa, pois considera que as perspetivas para os EUA para os próximos três anos permanecem fortes, apesar de todo o ruído de 2020.

[Photo by Erin Schaff-Pool/Getty Images]

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