Employer branding e o marketing digital

ATRAIR, GERIR E RETER TALENTO NA ECONOMIA DO CONHECIMENTO

As características da forma como o trabalho é executado no presente e será no futuro próximo estão a alterar-se com particular relevância nas empresas e profissionais ligados à economia do conhecimento. Vamos assistir a mais trabalho remoto ou misto, equipas multidisciplinares com diferentes linhas hierárquicas em ambientes mais abertos e inclusivos, onde a relação de trabalho vai ser mais informal e ao mesmo tempo flexível, promovendo o trabalho de relação variável em formato talento on-demand.

Os profissionais, particularmente os mais jovens, por outro lado, vão tendencialmente dar preferência a trabalhos com mais significado para o seu desenvolvimento e que em simultâneo lhes permitam mais autonomia em termos de objetivos a atingir, tempo de execução e localização. Esta nova forma de olhar o trabalho, muito focada em projetos ou iniciativas, vai colocar em causa o conceito tradicional de “carreiras”, que visa um percurso estruturado da evolução individual dentro de uma organização. Nesta nova era tende a emergir a dicotomia “leadership/ followership” onde o processo evolutivo assentará na transição de profissionais entre projetos, onde nuns assumem funções de liderança e noutros de colaboração, promovendo uma evolução profissional dinâmica e mais flexível ao longo do tempo.

O trabalho remoto associado a uma maior autonomia de localização vai também criar pressão nas remunerações e consequentemente na atração e retenção de talento. A assimetria económica entre geografias poderá permitir que o talento tenha acesso a melhores remunerações no caso das economias menos desenvolvidas e o oposto nas mais desenvolvidas. Por outro lado, iremos igualmente assistir a uma mobilidade de talento em função da maior atratividade geográfica.

Face a esta realidade emergente, as empresas deverão encontrar mecanismos para lidar com estes desafios e, ao mesmo tempo, assegurar o desempenho organizacional a par da eficaz colaboração entre as equipas e o compromisso individual com a empresa.

As direções de RH vão ter de se transformar em autênticos “digital marketeers” de talento, porque agora todo o mercado de trabalho remoto passa a ser global e por isso muito mais competitivo. Estratégias de Inbound Marketing, Content Marketing, Social Media, E-mail Marketing, Blogging, plataformas de mediação de serviços e estratégias de gamificação farão parte do jargão corrente das atividades de atração, gestão e retenção de Recursos Humanos. Estas práticas tão usadas no desenvolvimento digital dos negócios irão ser usadas em igual medida pelos RH. Simplesmente, não são os clientes, mas sim o talento que se pretende atrair e nutrir.

Esta transformação não vai ocorrer em simultâneo no imediato e será assimétrica. Cada geografia, consoante a sua cultura mais hierarquizada ou paternalista, resistirá mais ou menos à mudança. Contudo, poderá ser difícil lutar contra o impacto dos vasos comunicantes inerentes à globalização, através do uso da tecnologia e estratégias digitais que possibilitam a interação e a colaboração em qualquer hora, e em qualquer lugar. As organizações terão algum tempo para se transformarem, mas o relógio não para. A espécie que melhor se adaptar, sobreviverá.


Por Miguel Vicente, Executive Director da Made2Web

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