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Home Economia Notícias Empresas voltam a abrir vagas, mas a fasquia está mais alta

Economia

Empresas voltam a abrir vagas, mas a fasquia está mais alta

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10 Setembro, 2026 | 7 minutos de leitura

Indústria, Construção e Imobiliário e Finanças lideram as intenções de contratação no último trimestre do ano. Automação já pesa nas decisões de redução de equipas, enquanto a transformação tecnológica aumenta a procura por competências especializadas.

O mercado de trabalho português prepara-se para fechar 2026 com um novo impulso. Depois do abrandamento registado no terceiro trimestre, os empregadores antecipam uma recuperação das contratações nos últimos três meses do ano, embora num contexto em que criar emprego já não significa necessariamente aumentar equipas de forma indiscriminada.

A Projeção para a Criação Líquida de Emprego em Portugal alcança os +32% no quarto trimestre, segundo o ManpowerGroup Employment Outlook Survey, divulgado esta quarta-feira. O valor representa uma subida de 14 pontos percentuais face ao trimestre anterior e de 19 pontos em comparação com o mesmo período de 2025.

O otimismo português supera também a média global, que se fixa nos +29%, e a europeia, de +20%.

Mas por trás da recuperação há um mercado de trabalho em transformação. As empresas continuam a contratar, mas procuram cada vez mais responder a necessidades específicas: novas competências, transformação tecnológica, funções criadas por novos negócios e posições difíceis de preencher.

No total, 44% dos empregadores portugueses planeiam aumentar as suas equipas entre outubro e dezembro. Outros 44% deverão manter o número de trabalhadores, enquanto 12% antecipam uma redução.

Crescer, mas também transformar

O crescimento das empresas continua a ser a principal razão apontada para reforçar as equipas, identificada por 42% dos empregadores. Mas a transformação das funções e das competências já tem um peso ainda maior no conjunto das decisões de contratação: 46% das organizações apontam este fator como uma das razões para recrutar.

A mudança resulta de várias frentes. A criação de novas funções associadas a iniciativas de negócio, os avanços tecnológicos, a necessidade de atualizar competências para manter a competitividade e a evolução dos serviços estão a alterar o tipo de talento procurado pelas empresas.

A escassez de profissionais continua, entretanto, a pressionar o mercado. 27% dos empregadores dizem precisar de preencher vagas que permaneceram abertas no trimestre anterior, enquanto 18% referem posições que continuam por ocupar há ainda mais tempo.

Portugal acompanha, neste domínio, uma tendência internacional, embora com menor intensidade. A nível global, 62% dos empregadores apontam a evolução das funções e das competências como um dos principais motores da contratação.

«Os resultados deste trimestre mostram um mercado de trabalho que continua resiliente e com previsões de aumento nas contratações, mas que está a mudar gradualmente», afirma Rui Teixeira, Country Manager do ManpowerGroup.

As empresas, acrescenta, já não recrutam apenas para crescer, mas também para “transformar as suas equipas” e responder às novas exigências tecnológicas, operacionais e de negócio.

Automação já influencia cortes

Se a transformação tecnológica cria procura por determinados profissionais, também começa a pesar do lado oposto da equação.

Entre os empregadores que preveem reduzir equipas, 25% apontam a automação como um dos fatores. É uma subida de cinco pontos percentuais face ao trimestre anterior e coloca a automação na segunda posição entre os principais motivos para a redução de funções.

A reestruturação ou downsizing surge igualmente com 25%, enquanto os desafios económicos são referidos por 23%. Este último fator perdeu quatro pontos percentuais num trimestre, descendo da primeira para a terceira posição.

O cenário traduz uma mudança relevante: a tecnologia não está apenas a criar novas oportunidades de emprego. Está também a alterar o número e a natureza das funções existentes.

«Por um lado, a volatilidade na geopolítica global, com impactos ao nível dos preços da energia, inflação e taxas de juro diretoras, acrescenta novos desafios às organizações, limitando a criação de emprego», explica Rui Teixeira. «Por outro, a necessidade de acompanhar a transição digital e a adoção da IA está a impulsionar investimentos e aumentar a necessidade de perfis especializados.»

Indústria atinge máximo de quatro anos

Entre os setores analisados, a Indústria apresenta as perspetivas mais fortes, com uma Projeção para a Criação Líquida de Emprego de +40%. É também o valor mais elevado registado pelo setor nos últimos quatro anos.

A subida foi expressiva: mais 16 pontos percentuais face ao trimestre anterior e mais 37 pontos em comparação com o quarto trimestre de 2025.

Segue-se a Construção e Imobiliário, com +39%, praticamente em linha com o trimestre anterior, e Finanças e Seguros, com +35%. Este último setor regista uma das recuperações mais acentuadas, com uma subida de 18 pontos percentuais num trimestre e de 26 pontos face ao mesmo período do ano passado.

O Comércio e Logística surge logo depois, com +34%, mais 12 pontos do que nas previsões para o terceiro trimestre.

Também os Serviços Profissionais, Científicos e Técnicos (+27%), as Tecnologias e Serviços de Informação (+26%) e o Setor Público, Saúde e Serviços Sociais (+23%) apresentam intenções de contratação positivas.

No extremo oposto está o setor de Utilities e Recursos Naturais, com +16%. É o único setor analisado que regista uma deterioração das perspetivas face ao trimestre anterior, com uma descida de quatro pontos.

Centro e Lisboa concentram o maior otimismo

A recuperação não está concentrada numa única região. As cinco regiões portuguesas analisadas apresentam intenções de contratação positivas para o último trimestre do ano.

O maior otimismo encontra-se no Centro, com uma Projeção de +50%, seguido pela Grande Lisboa, com +40%.

A Região Sul apresenta uma projeção de +26%, enquanto o Grande Porto chega aos +24% e a Região Norte aos +21%.

Também não existe uma diferença radical em função da dimensão das empresas. As pequenas empresas apresentam uma Projeção de +36% e as médias de +35%. Entre as grandes empresas, as que têm até 1000 trabalhadores chegam aos +40%.

As grandes organizações com mais de 5000 trabalhadores apresentam, contudo, uma projeção mais moderada, de +24%, enquanto aquelas que empregam entre 1000 e 4999 trabalhadores ficam nos +21%.

As microempresas são a exceção, com uma Projeção de +14% e uma redução das intenções de contratação face ao trimestre anterior.

Portugal recupera acima da média internacional

A melhoria das perspetivas portuguesas surge num contexto de recuperação mais ampla. O estudo do ManpowerGroup, que ouviu mais de 39 mil empregadores em 42 países e territórios, revela que as intenções de contratação melhoraram em 37 dos mercados analisados.

A Projeção global para o quarto trimestre sobe para +29%, mais dois pontos percentuais do que no trimestre anterior.

Na Europa, a recuperação é ainda mais evidente, embora partindo de níveis inferiores: a projeção chega aos +20%, cinco pontos acima do trimestre anterior. Ainda assim, a região continua a apresentar as perspetivas de contratação mais baixas entre as regiões analisadas.

Na América do Norte, pelo contrário, a projeção recua um ponto, para +35%. Nos Estados Unidos, a queda é mais acentuada: nove pontos percentuais, para +36%.

Portugal entra, assim, no último trimestre de 2026 com uma expectativa de contratação acima da média mundial e muito distante da média europeia. Mas os números escondem uma mudança estrutural no mercado de trabalho: as empresas estão dispostas a contratar, mas cada vez menos para simplesmente aumentar o número de pessoas. Procuram talento para preencher lacunas concretas, acompanhar a tecnologia e redesenhar as próprias organizações.

O próximo Employment Outlook Survey do ManpowerGroup será divulgado em dezembro e apresentará as perspetivas de contratação para o primeiro trimestre de 2027.

Redação,
Equipa editorial Líder

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