A diversidade e as competências para o futuro em tempos de Inteligência Artificial (IA) estiveram no centro do encontro anual do programa de empreendedorismo feminino ´BORA Mulheres, da Coca-Cola. Mais de 100 mulheres, de vários setores da sociedade, juntaram-se numa semana marcada pelo Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino e num mês com forte simbolismo para a Igualdade de Género.
O evento contou com uma mesa-redonda moderada pela jornalista Fernanda Freitas, que reuniu Berta Galvão (People & Strategy Advisor e membro da Comissão Executiva da Confederação Empresarial da CPLP), Carlos Fonseca (Diretor de Serviços da Direção de Qualificação do IEFP), Paula Sampaio (Gestora de Operações e Desenvolvimento de Negócios na Data CoLAB) e Rita Tomé Duarte (professora e formadora em Inteligência Artificial, Marketing e Comunicação).
Soft skills: a base que a tecnologia não substitui
Durante o debate, os oradores defenderam que os soft skills — empatia, humanidade, pensamento crítico, comunicação — são hoje mais importantes do que nunca. Sem eles, a tecnologia não funciona.
«Saber colocar boas questões quando estamos a trabalhar com a IA é essencial e isso exige pensamento crítico perante a informação que recebemos», afirmou Berta Galvão.
A mesma ideia foi reforçada por Paula Sampaio: «A literacia é muito mais do que saber usar a IA. Passa por uma capacidade crítica, saber fazer as perguntas certas. Trata-se de uma capacidade humana».

Vieses, exclusão e a urgência da diversidade
A diversidade na IA tornou-se um dos temas centrais. Rita Tomé Duarte alertou: «Tudo o que são minorias são cada vez mais descartáveis em termos de dados».
A oradora deu o exemplo de uma aplicação de deteção de malignidade de sinais na pele que inclui apenas dados sobre pessoas caucasianas, deixando de fora o resto da população. «A nossa sociedade é bastante heterogénea e os dados devem refletir essa realidade. Os vieses levam a respostas erradas em assuntos de grande seriedade.»
Paula Sampaio reforçou: «É muito importante haver diversidade também nas equipas, porque ajuda a mitigar os vieses que levam a erros. A diversidade permite ainda que se juntem diferentes visões, o que é benéfico para a tomada de decisão».
A diversidade implica também acesso global à tecnologia. Para Berta Galvão, «é importante o hemisfério Norte olhar para os países do Sul e perceber como estes podem ter acesso às tecnologias».
Carlos Fonseca destacou a velocidade da transformação: «A informática do futuro é quântica. Neste sentido, a capacidade de desaprender é muito importante.»
O impacto crescente do ´BORA Mulheres
Na abertura, Elena Anton, program manager e impulsionadora do programa, recordou as 2500 mulheres que o ´BORA Mulheres já impactou ao longo de sete edições.
Elena Anton sublinhou ainda que 2025 marcou um salto com a criação da nova Academia ´BORA Mulheres. A primeira formação — o curso certificado e gratuito IA na Prática — reuniu mais de 1200 participantes, tornando-se a maior iniciativa do género em Portugal dirigida exclusivamente a mulheres.

Formação, almoço inclusivo e fotografia documental
O evento integrou uma formação interativa sobre competências e liderança humanas em tempos de IA, conduzida por Rita Duarte, onde as participantes foram desafiadas a definir um plano de ação concreto.
Seguiu-se um almoço preparado pela We Cheffes, negócio de catering inclusivo nascido na 5.ª edição do programa.
As participantes puderam ainda visitar a exposição Mulheres do Mundo, da fotógrafa documental Tânia Neves, finalista do ´BORA Mulheres 2024 com o projeto Unusual Voyages. A mostra reúne retratos que celebram criatividade, resiliência e diversidade feminina em várias culturas.
O futuro já em preparação
Com o patrocínio da Coca-Cola Europacific Partners e implementação do Impact Hub Lisbon, o ´BORA Mulheres consolidou-se como um dos maiores programas de empreendedorismo feminino do país. A próxima edição será lançada em fevereiro de 2026.



