Ensino híbrido: Autonomia e criatividade como fatores diferenciadores

Sabemos hoje que, quanto mais raro é um acontecimento, maior perturbação causa em todos as estruturas humanas. Não admira, assim, que as estruturas que a nossa sociedade criou para os diversos sistemas sejam demasiadamente influenciáveis por acontecimentos fora de contexto, ou pouco expectáveis de poderem ocorrer.

Foi por essa razão que o impacto da pandemia resultante da COVID-19 tenha obrigado a repensar estratégias, alterar rumos e proceder a alterações necessárias que, no caso da generalidade das instituições de ensino e em particular da Universidade Europeia, implicou, em poucas horas e como consequência de um comportamento de natureza emergente, associado a um quanto entusiasmo face ao desconhecido, ter sido possível proceder a uma transição indispensável e imediata do ensino presencial para o ensino a distância.

É neste entusiasmo, que nos faz acreditar nas nossas capacidades de fazer com que as coisas possam efetivamente acontecer, de poderem até dar certo, poderem ainda transformar a natureza e as pessoas, que nos leva ao propósito da Universidade Europeia e a sua ambição em querer planificar e afirmar uma formação a um nível sem precedentes. Propósito esse, alicerçado num modelo académico inovador, que pretende responder aos desafios do presente e antecipar as necessidades de aprendizagem do futuro nas suas dimensões tecnológicas.

Denominado Experiential Learning, é sustentado em três variáveis: Digital-based Learning, porque acreditamos na importância da experiência do estudante com recurso às melhores tecnologias digitais; Hyflex Model, porque a flexibilidade dos modelos de ensino e de aprendizagem são determinantes para o sucesso dos estudante em função do tempo disponível; e Blended Learning, um modelo de ensino e de aprendizagem que articula aulas presenciais e aulas a distância, preservando sempre o contacto dos estudantes com o corpo docente.

Nos tempos imediatos, muitas questões podem agora ser suscitadas, enquanto estímulos ou barreiras que possam induzir a autonomia e a criatividade no ensino, sabendo, contudo, que as nossas atuais e futuras gerações serão cada vez mais instruídas e estarão tecnologicamente mais confortáveis. No entanto, serão também mais difíceis de contentar, a menos que se encontrem novas formas de satisfazer as suas expectativas e escolhas ilimitadas.

Portanto, este é o tempo e o momento adequado para refletirmos sobre estas oportunidades e os desafios que nos colocam, face ao incrível ritmo de mudança impulsionada pela tecnologia e o profundo impacto que esta irá ter nos modelos e consequentes comportamentos emergentes associados à transformação digital e às práticas pedagógicas.

Esta renovação passa pela integração plena de novas possibilidades tecnológicas na vida académica e pela utilização dos meios tecnológicos para exponenciar as capacidades e a autonomia dos estudantes.

Com esta nova dimensão, este modelo académico, assim se espera, permite que os estudantes personalizem o seu modelo de aprendizagem, tornando-o mais orgânico e adaptado às suas circunstâncias pessoais e profissionais.

Estamos certos que o tal entusiasmo, associado à coragem e à autoconfiança, são fatores diferenciadores que este modelo de ensino híbrido será capaz de induzir junto dos estudantes, fomentando uma maior autonomia e o desenvolvimento do potencial criativo para a solução de problemas.


Por Carlos A. M. Duarte, vice-Reitor da Universidade Europeia

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