Num tempo em que as empresas se reinventam para responder a novos equilíbrios entre produtividade e bem-estar, a liderança está a mudar de rosto — e de tom. De acordo com a análise ‘Novos Líderes para Novos Tempos’, da Claire Joster People First (empresa do Grupo Eurofirms especializada em executive search), a empatia é hoje a qualidade mais valorizada pelas equipas nos cargos de chefia, com um peso de 66,6%.
Logo a seguir surgem a comunicação (65,6%) e o reconhecimento do trabalho realizado (65,2%), dois fatores que traduzem a importância de uma gestão mais próxima, capaz de escutar e valorizar as pessoas. A promoção do trabalho remoto, valorizada por 63% dos inquiridos, confirma uma tendência estrutural: o equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixou de ser um luxo e tornou-se parte integrante do sucesso organizacional.
A análise, baseada em dados internos da empresa e envolvendo mais de mil participantes, revela ainda que os colaboradores esperam das suas lideranças mais do que visão estratégica. Entre os aspetos mais apreciados destacam-se o desenvolvimento profissional, a gestão operacional, o compromisso com a empresa e o employer branding. Já entre as competências menos reconhecidas figuram o planeamento de tarefas e gestão de tempo das equipas, o empoderamento dos colaboradores e a crítica construtiva — três pontos que mostram que a autoridade, sem escuta ativa, está em perda de influência.
Do lado dos líderes, o retrato também está a mudar. A flexibilidade surge como o aspeto mais valorizado no local de trabalho para 39% dos gestores, refletindo um novo modelo de liderança que se quer mais adaptável, humana e transversal. Ainda assim, o salário mantém-se como fator determinante (52%) na escolha de um local de trabalho, seguido pelas oportunidades de crescimento profissional e pela qualidade dos projetos (ambas com cerca de 30%). O top 5 fecha com a possibilidade de evolução e aprendizagem contínua, valorizada por 29% dos inquiridos. «Vivemos um período de profunda transformação no mercado de trabalho, que é cada vez mais dinâmico e competitivo», sublinha Sílvia Coelho, National Leader em Portugal da Claire Joster. «Os líderes estão também a redefinir as suas prioridades, e a flexibilidade laboral já deixou de ser encarada como um benefício: é uma necessidade para equilibrar o bem-estar pessoal e profissional.»
A responsável reforça ainda a importância de compreender o que as equipas procuram: «Querem líderes mais atentos, mais próximos e mais empáticos. São estas as qualidades que verdadeiramente movem as organizações — e que se alinham com os pilares da Claire Joster People First, cuja atuação assenta em fortes valores de humanismo.»
Mais do que um estudo sobre gestão, o relatório traça o retrato de uma mudança cultural: liderar deixou de ser mandar — é, cada vez mais, saber ouvir e criar espaço para o outro.


