Escolhas do ano

Todos os anos na sua última edição a revista The Economist escolhe o país do ano. O país do ano, alerta a publicação, não é o mais poderoso ou o mais rico ou o mais feliz mas aquele que mais melhorou. Este ano a escolha foi a Itália mas a Lituânia recebeu uma menção honrosa. Inspirado pela Economist escolho o meu país do ano ao contrário da ordem daquela publicação: Lituânia.

A Lituânia é uma das repúblicas do Báltico. Não é um país grande nem poderoso, mas distinguiu-se pela sua coragem. Permitiu a abertura de uma representação de Taiwan, o que enfureceu a China, que se referiu ao país como uma “pulga”. A postura crescentemente agressiva da China, não assustou a “pulga” lituana. Já por cá, as perguntas sobre o desaparecimento da tenista Peng Shuai foram vistas por alguns como uma ingerência em problemas de direitos humanos de outro país – um extraordinário raciocínio. As escolhas do povo de Taiwan, claro, nada têm a ver connosco. Recuperando memória do bom exemplo que demos no caso de Timor, talvez se trate da defesa da autodeterminação à la carte, quando dá jeito.

A Lituânia é também o país que acolheu Svetlana Tikhanovskaia, a possível vencedora das fraudulentas eleições presidenciais do seu país em 2020. Tikhanovskaia substitui o marido, impedido de concorrer. À conta disso, teve de fugir da Bielorrússia, o país de Lukashenko, o presidente-terrorista que desviou um avião comercial para prender um dissidente, Roman Protasevich. A coragem de Svetlana Tikhanovskaia, uma pessoa normal que assumiu a sua responsabilidade num momento extraordinário é, pelo menos, tão impressionante como a da Lituânia em recebê-la. Para mim e pelo seu papel em 2021 como persistente voz de liberdade, ela é a pessoa do ano. Porque se manteve na luta e cresceu como voz livre no país livre do ano.

 


Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

 

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