Está na hora de saber gerir a incerteza

No início de 2020, a Wafels & Dinges, empresa de roulottes de venda de waffles belgas, estava em grande expansão. Tinha planos para abrir restaurantes tradicionais em alguns mercados americanos onde venderia café e waffles.

Mas quando a 13 de março a emergência nacional da COVID-19 foi declarada nos EUA, os proprietários Thomas de Geest e Rossanna Figuera perceberam que o dinheiro em caixa era exatamente o suficiente para dar aos seus trabalhadores duas semanas de indemnização. E foi isso que fizeram: por mais que lhes tivesse custado, despediram-se e esvaziaram a sua conta bancária.

Depois de tomarem a dolorosa decisão, o casal fez acordos com credores e proprietários dos espaços. Concentraram-se no que poderiam fazer para ajudar os outros e encontraram a resposta na sua missão: dar às pessoas o momento mais feliz do dia.

“Nas crises, estamos sempre a resolver problemas, mas de repente ocorreu-me que não havia nada que pudéssemos resolver. Não havia nada que pudéssemos fazer. Foi quando a aceitação começou”, disse Figuera, cofundadora da empresa que ela e o seu marido, nascido na Venezuela, construíram em 2007.

“Isto não é algo que possa ser aprendido: é algo pelo qual se deve lutar.” Mas na aceitação daquilo que se estava a passar encontraram paz. “E na paz, encontrámos clareza.”

O que mudou? Passaram a receber encomendas online, que até então era um negócio secundário, muito pequeno, e transferiram as operações da cidade de Nova Iorque para Denver, Colorado, onde já tinham uma loja.

A opção por doar waffles a profissionais de saúde da linha de frente foi vista com entusiasmo pelos clientes e permitiu à empresa trazer de volta alguns colaboradores. Hoje, a Wafels & Dinges está a ser distribuída em todo o país, não apenas para clientes que já tinha, mas também para hospitais.

A COVID-19 trouxe a necessidade de possuir uma competência, cada vez mais crucial nos negócios: a capacidade de navegar na incerteza. Isso significa saber o que pode controlar e o que não pode, alinhando a sua empresa e colaboradores a um objetivo partilhado, mantendo uma visão clara de onde quer que a empresa esteja e envolvendo a equipa nessa visão.

A economia de hoje é um laboratório da vida real. Um estudo de 2019 com dezenas de líderes globais identificou as principais competências da liderança que são necessárias hoje: sentir-se confortável com o risco e com a ambiguidade – isto é, com a ausência de certeza ou de clareza.

Os líderes que são melhores a gerir em mundos incertos também confiam em sistemas que permitem resolver problemas complexos, concluiu o relatório. Esses líderes montam a melhor equipa possível e confiam nessa equipa para encontrar as informações de que a organização precisa para ultrapassar a crise.

“Os CEO não precisam de ser heróis, mas depois de terem passado pela crise devem poder dizer: vejam como a equipa cresceu durante este período! Vejam o que conseguiram fazer! Olha como se reergueram!”, defende Michele Wucker, palestrante e consultora em Chicago num artigo para a Strategy+Business.

Este comportamento faz toda a diferença entre os colaboradores que, ao responderem à incerteza­, se tornaram mais criativos e proativos – e não sobrecarregados e paralisados.

“A capacidade de lidar com a incerteza e em continuar com a sua missão será a diferença entre sucesso e fracasso”, conclui Wucker, autora de três livros, incluindo o bestseller internacional The Gray Rhino.

Artigos Relacionados: