Esta psiquiatra ficou conhecida por tornar “normal” a conversa sobre saúde mental

Jessica Clemons, psiquiatra em Nova Iorque, ficou conhecida por ajudar a tornar “normal” a conversa sobre saúde mental, em especial no seio da comunidade negra. Foi pioneira ao usar a sua plataforma no Instagram para ajudar a reduzir o estigma e a confusão em torno da saúde mental e recentemente foi convidada a participar no podcast Creative Conversation da revista de negócios Fast Company, para o qual está a fazer uma série especial com três partes, cobrindo os protestos pela igualdade racial.

Neste episódio partilha ensinamentos para saber identificar os sinais de sofrimento mental, ajuda os negros a navegar de maneira saudável no cenário social atual e a saberem auto cuidar-se.

A crise de saúde e as consequências económicas da COVID-19 abriram o ano de 2020. E agora, após as mortes de George Floyd, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery, Tony McDade e outras mais, voltou a questão americana em torno da brutalidade policial e do racismo sistémico.

Da COVID-19 que afeta pessoas negras em taxas elevadas à atual batalha por mudanças substanciais nos mecanismos de racismo nos EUA, a comunidade negra continua a enfrentar níveis elevados de stress, causando danos duradouros na saúde física e mental, lê-se num artigo da Fast Company.

“Temos muita dor para enfrentar e a terapia é uma excelente maneira de falar sobre as nossas experiências” defende Jessica Clemons, cuja abordagem para tornar a saúde mental mais acessível foi reconhecida pela American Psychiatric Association.

Baixar a guarda

Ao estarmos mais conscientes do movimento anti-negro, é preciso dar atenção à hipervigilância, alerta a profissional, explicando que se trata de um sintoma de que estamos perante alguém a sofrer de trauma. “Uma pessoa pode não ser diagnosticada com stress pós-traumático, mas existem muitos estudos que mostram que o racismo e os assassinatos pela polícia afetam a saúde mental das pessoas negras”, defende.

Ser hipervigilante, estar muito atento e consciente do seu ambiente, não conseguir dormir bem, fazer coisas como beber mais álcool ou usar marijuana para aliviar o stress, tudo isto pode indicar que a pessoa chegou a um limite e está a sofrer mentalmente. “Podemos pensar que é normal ser hipervigilante, mas não é.”

©Elena Mudd [askdrjess.com]

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