Está tudo a postos para dar entrada no novo escritório do futuro?

Tanto arquitetos como designers já começaram a repensar o espaço de trabalho para os tempos do coronavírus. A pandemia trouxe inevitavelmente algumas implicações a longo prazo na forma como projetamos os escritórios. E muitos aspetos podem vir a mudar – dos materiais usados às próprias plantas de arquitetura de interiores.

Para manter o escritório o mais livre de germes possível são precisas algumas mudanças no que toca a materiais. As superfícies como madeira, pedra macia e aço inoxidável podem ser locais propícios à multiplicação de germes e de bactérias, diz Nina Etnier à revista de negócios americana Inc.

A cofundadora da empresa de design de interiores Float Studio, em Nova Iorque, sugere que os escritórios passem a ser mobilados com móveis feitos de materiais sintéticos antimicrobianos e que sejam usados metais como o cobre e o latão para maçanetas e outras superfícies onde as pessoas tocam muito, explica Etnier.

Outros pontos de contacto, como teclados e painéis de controlo de iluminação, controlo climático e de sistemas de ar condicionado e de ventilação podem ser substituídos por aplicações mobile instaladas nos smartphones pessoais dos funcionários, lança num rasgo inovador Kim Heartwell, vice-presidente sénior da empresa de arquitetura CallisonRTKL, outro profissional do design ouvido pelo autor do artigo What the Future of Office Design Might Look Like Now sobre o design do futuro numa era pós pandémica.

Revolucionária é também a ideia de ter luzes ultravioleta instaladas nas condutas para purificar o ar antes deste chegar ao espaço de escritório. Outra solução inteligente de arquitetura usada há décadas em hospitais é desenhar os espaços de modo que o chão curve no ponto em que toca a parede. Isto acaba com os cantos, locais onde normalmente se acumula muita sujidade.

Mudanças em larga escala também podem estar a chegar. Havendo mais colaboradores a trabalhar remotamente, o espaço onde normalmente estavam as secretárias pode ser convertido em espaços em open space bem desenhados, sugere Melissa Shelton, presidente das operações norte-americanas da Vitra, empresa suíça de design.

Nina Etnier acredita que a tendência é as empresas procurarem escritórios com mais acessos ao exterior, a espaços ao ar livre. Na sua opinião, esta é uma forma de garantir o distanciamento social e tornar os escritórios locais mais convidativos aos olhos dos colaboradores que têm como alternativa ficar em casa.

“O escritório será projetado propositadamente para ser mais do que apenas um local de trabalho”, diz Shelton. “Será um local para a comunidade, um local de cultura e um local de aprendizagem.”

Limpeza das mesas de trabalho

Por uma questão de limpeza, as empresas podem ter de reconsiderar a antiga tradição de designar mesas de trabalho a cada colaborador. Levar os funcionários a remover as suas coisas no final de cada dia também ajudará a que a limpeza seja mais eficaz, algo difícil se as mesas estiverem cheias de coisas.

Esta “política de mesas de trabalho limpas” pressupõe que cada colaborador tenha um cacifo onde deixa as suas coisas de um dia para o outro, que as secretárias sejam bem limpas todas as noites, e que, mais do que tudo, não haja mais ninguém além do dono da mesa a sentar-se naquela cadeira e a tocar aquelas superfícies, defende Shelton. E, claro, deixar mais espaço entre as secretárias é obrigatório.

Uma ideia extrema, mas viável, avança à Inc. David Galullo, co-fundador do Rapt Studio que já a está a aplicar num cliente, é a criação de pods ou espaços fechados para substituir os espaços de trabalho tradicionais. As estruturas terão quatro paredes, em que algumas serão de vidro e outras opacas.

Espaço de trabalho amigo do teletrabalhador

Ao voltarmos ao escritório várias coisas prometem ser diferentes. Muitas empresas estão a pensar fazer alterações nos horários de trabalho para ajudar a reforçar o distanciamento social. O trabalho remoto pode vir a ser muito mais comum a longo prazo. O que também pode significar que as pessoas passem a trabalhar alguns dias em casa e outros na empresa.

Esta transição implica certas mudanças tecnológicas, com as empresas a transferirem os seus sistemas para um local centralizado ou para a cloud. O Twitter, por exemplo, anunciou recentemente que todos os funcionários – além de poderem trabalhar em casa indefinidamente – receberão créditos até mil dólares para atualizar as suas configurações técnicas e a capacidade tecnológica no domicílio.

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