FCB Lisboa assina as capas da Líder

A criatividade da mais recente capa da Líder tem assinatura da FCB Lisboa. A parceria com a a agência de publicidade representa um novo capítulo na história das capas da revista.


A atual capa faz a reinvenção, pela mão da FCB Lisboa, de uma das fotografias mais icónicas e um marco na história mundial, capturada a 14 de agosto de 1945 em Manhattan, pelo aclamado fotojornalista da revista Life, Alfred Eisenstaedt, logo após o anúncio da rendição japonesa, desencadeando o fim da Segunda Guerra Mundial.

A revista Líder da Tema Central é uma publicação, com quatro edições por ano, de crítica, investigação e reflexão, que aborda todas as áreas da liderança.

André Nassar, consultor criativo na FCB Lisboa, explica todo o processo criativo desta última capa que está nas bancas com o tema “How to Rise in The Post-apocalyptic World?”:

«Ter a oportunidade de criar a capa da revista Líder não foi tão somente um privilégio, como um desafio bastante excitante. Digo sempre que fazer um trabalho com muitas regras e limitações é tão difícil quanto fazer um trabalho com liberdade total. A dificuldade de ser criativo na escassez e na possibilidade infinita é a mesma.

No caso da edição de julho da revista Líder, foi o segundo caso. O briefing era claro, o prazo era bom, a liberdade era grande e o cliente muito aberto a novas ideias. Em resumo, o paraíso para nós criadores, tornando, ao mesmo tempo, a responsabilidade dez vezes maior. How to rise in the Post-Apocalyptic World? Esse era o briefing e foi a pergunta que preencheu os meus dias a partir daí. Comecei o processo de trabalho com uma imersão sobre o tema e estudos sobre épocas e eventos onde o mundo parou e a humanidade também para assistir.

Gripe Espanhola, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial, o homem a pisar a Lua em 1969, o crash de Wall Street em 1929. E relacionava tudo com a pandemia, a quarentena e o vírus. No meio do caminho lembrei-me de uma pintura de Norman Rockwell, chamada Man on the Moon, de 1967, sobre um astronauta no momento em que ensaia o primeiro passo na superfície da Lua. Não me esqueço da sensação de cuidado que a pintura transmitia. Isso deu-me a primeira ideia. Por que não fazer uma pessoa a descer pela primeira vez as escadas de casa depois de três meses de quarentena com aquele mesmo cuidado da Pintura de Rockwell?

A aeronave poderia ser substituída por uma escada de uma casa típica do Harlem, a pessoa poderia estar a vestir roupas de proteção que lembrassem as do astronauta e a posição cuidadosa do pé, poderia ser exatamente a mesma, retratando a primeira saída cautelosa de um cidadão após a pandemia. Acho que pode dar uma bela capa, pensei. Mas resolvi pensar mais. Que tal uma pessoa respirar pela primeira vez depois de emergir do fundo de um oceano formado pelas estruturas de proteína da COVID-19? Pode traduzir o sentimento atual e ficar impactante. Ou quem sabe uma cidade destruída por alienígenas com ventosas no rosto como as do vírus? Está tarde, acho que preciso de dormir. E continuei a divagar por caminhos cada vez mais complexos e surreais nos dias seguintes. A capa não saía da minha cabeça. Sentia a necessidade percorrer outros caminhos e passei muitas horas debruçado sobre o tema com muitas pesquisas, leituras e estudos.

Apesar da quarentena já estar menos rígida aqui em Lisboa, estava a viver uma quarentena muito mais radical e restritiva. A quarentena da criação da capa da revista Líder. Só parava de pensar e rascunhar para comer e dormir. Se bem que as ideias ainda me acompanhavam, não raramente, durante o sono. Até que então, num belo dia, lembrei-me de uma fotografia. Uma das fotos mais icónicas de todos os tempos e de um período muito semelhante ao que estamos a viver. V-J Day Kiss in Times Square foi capturada em 14 de agosto de 1945 em Midtown, Manhattan, pelo aclamado fotojornalista da revista Life, Alfred Eisenstaedt, logo após o anúncio da rendição japonesa, culminando com o fim da Segunda Guerra Mundial. É uma das fotografias mais famosas de toda a história, em uma época marcada pela violência, medo, incerteza e sacrifício. Achei que era um ótimo ponto de partida.

Se pudesse capturar o sentimento daquele instante e trazer para os tempos atuais, poderia criar uma imagem memorável e ao mesmo tempo, com o otimismo que desde o início queria colocar nessa capa histórica. Usei a mesma cena, mudei os protagonistas para os heróis do momento atual, um médico e uma enfermeira, eliminei os detalhes que não importavam para a comunicação da mensagem e pronto. O rascunho pareceu-me muito bom. Decidi dormir uma noite tranquila e ver a ideia outra vez na manhã seguinte. Se sentisse a mesma segurança da noite anterior, seguiria com essa abordagem. Sim, as ideias eventualmente dormem lindas e amanhecem infames. Neste caso continuei muito feliz na manhã seguinte. Parti para a ilustração final e a cada dia gostava mais da ideia e do tratamento da imagem. Chegou o dia da apresentação. Estava bem ansioso para dividir a ideia com os meus clientes, sentindo borboletas no estômago como se fosse a minha primeira apresentação de trabalho. Até porque, para mim, todos os trabalhos são os primeiros, porque, na verdade, são todos únicos. Com todas as especificidades e dificuldades únicas. Como podem ver, e para felicidade minha, a ideia foi aprovada à primeira. E por unanimidade. O que fez valer cada emoção, cada dia, hora e minuto de dedicação a esse trabalho. O génio Leonardo da Vinci definiu muito bem o trabalho de criação: “Simplicity is the ultimate sofistication”. É sempre o que funciona melhor no final das contas.»

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