A condição humana define-se pela capacidade de pertença e pela dignidade que o trabalho confere. Na VilacomVida, IPSS que representa em Portugal os cafés-restaurantes Joyeux, acreditamos que o emprego não é uma mera transação, mas o palco onde a vulnerabilidade se transforma em valor. O exemplo da Nova School of Business and Economics, a primeira faculdade no mundo a acolher um Joyeux, é o expoente desta visão: colocar o talento de pessoas com Dificuldades Intelectuais e do Desenvolvimento (DID) no coração do conhecimento, impactando diariamente 7.000 alunos e professores.
Manter cafés abertos para a rua, em zonas de elevado valor imobiliário, é um desafio de sustentabilidade deliberado. Exige estratégias criativas, como serviços de catering, venda de café próprio e fundraising, pois a nossa estrutura de recursos humanos é superior à média: mais de 50% de cada equipa tem DID, exigindo um rácio elevado de supervisores. Estes líderes são referências de «saber ser» e «saber fazer»; por isso, investimos na sua retenção com condições acima do mercado, garantindo a estabilidade necessária para os jovens florescerem.
Este modelo prova que a inclusão é compatível com o rigor. Recentemente, o Grupo LVMH, em Paris, inaugurou um Joyeux na sua sede. Num setor onde o detalhe é tudo, a nossa estética e serviço confirmam que a diferença não compromete a excelência; pelo contrário, humaniza-a. Os nossos cafés são convites para que a pessoa por detrás do profissional experiencie um serviço inclusivo de qualidade, percebendo que a inclusão «funciona». Esta vivência desarma o preconceito e inspira líderes a replicar esta cultura nas suas empresas, promovendo fidelização e propósito.
Em Portugal, parceiros como a Ageas Seguros Portugal, a Cofidis e a Nova SBE já compreenderam que a responsabilidade social é um ativo estratégico e não apenas solidariedade. A eficácia da missão Joyeux traduz-se em dados robustos, validados por um modelo de recrutamento ágil (direto com famílias ou em rede com organizações sociais):
- 11.000 oportunidades diárias de transformar o olhar nos 6 cafés em Portugal;
- 246 jovens acompanhados e capacitados;
- 89 contratos de trabalho sem termo, devolvendo o futuro a dezenas de famílias;
- Mais de 70.000 horas de formação técnica e comportamental;
- 19 empresas recetoras que transformaram a sua cultura organizacional.
Uma Missão de Todos
O esforço pela sustentabilidade vale cada cêntimo pela alegria contagiante destes jovens ao assinarem o seu contrato. Mas este impacto transforma-nos, acima de tudo, a todos nós. A condição humana exige que não deixemos ninguém para trás, e os nossos cafés são a prova de que, quando simplificamos a mensagem e humanizamos o processo, todos ganhamos.
Estes espaços convidam cada um de nós a trocar o olhar com a diferença e a vê-la como uma experiência positiva de humanidade. Antes de sermos profissionais, somos pessoas. Ao contribuirmos para a transformação ativa de quem passa, acreditamos estar a mudar o paradigma: para que um dia deixemos de falar de inclusão, para falarmos, simplesmente, de não-exclusão.
Este artigo foi publicado na edição nº 33 da revista Líder, cujo tema é ‘Condição Humana’. Subscreva a Revista Líder aqui.


