Portugal vive um momento político desafiante e é com grande expetativa que se esperam os resultados eleitorais no próximo dia 30 de janeiro. Aline Beuvink considera que a abstenção pode ser elevada e o voto contra o sistema pode resultar num aumento do populismo. Seria importante um equilíbrio de forças ao centro e que o […]
Portugal vive um momento político desafiante e é com grande expetativa que se esperam os resultados eleitorais no próximo dia 30 de janeiro. Aline Beuvink considera que a abstenção pode ser elevada e o voto contra o sistema pode resultar num aumento do populismo. Seria importante um equilíbrio de forças ao centro e que o dinheiro da bazuca europeia fosse utilizado de forma inteligente, eficaz e empreendedora. Em relação ao eleitorado português, teme pela sua má memória e pela fraca educação cívica, principalmente dos mais jovens. No dia das eleições muitas surpresas irão acontecer, espera Aline “que sejam boas para o País.”
Por: Catarina G. Barosa e Rita Saldanha Fotos: Tema Central
Quando Portugal ainda está a refazer-se de um longo e duríssimo período de uma crise económica e social sem precedentes, e ainda ensombrado pelo COVID-19, o que vai acontecer? O que muda com o chumbo do Orçamento? O que implica a dissolução do Parlamento? Por que razão todos os partidos à exceção do PS, e da abstenção do PAN, votaram contra este OE2022?
Em situações de crise, a História demonstra-nos que as franjas mais extremistas têm tendência a fortalecer-se junto da opinião pública. Porém, o pequeno golpe do chumbo do Orçamento, que a extrema esquerda protagonizou, com esperança de refazer a sua dinâmica perante o eleitorado, não parece que irá vingar. Há um sentimento de cansaço na sociedade portuguesa potenciado, eventualmente, pela Pandemia e pela forma atabalhoada com que o Governo tratou do caso, salvo o papel do Vice-Almirante Gouveia e Melo. Esse cansaço irá traduzir-se, seguramente, nas eleições. A dissolução do Parlamento vai implicar um “afiar de facas” em todos os quadrantes políticos e uma tentativa, como temos visto, de controlo do poder, muito por se ter no horizonte a chamada “bazuca”. Quanto aos votos neste orçamento, a posição dos partidos de direita é consentânea com o seu perfil dos últimos anos, pelo que se poderia adivinhar que não apoiariam o OE2022, restando ao Partido Socialista contar com os seus parceiros do costume: BE e PCP. No entanto, na ressaca das autárquicas de resultados miseráveis, um pouco como castigo por anos de conluio, os habituais parceiros de coligação não aprovaram, para espanto de todos, o OE2022. O resultado foi pior: deu origem a uma instabilidade e a uma crise política, em plena Pandemia e com incertezas quanto ao futuro, que poderão sair caras aos protagonistas deste teatro da esquerda. Os partidos que representam o centro democrático têm aqui a obrigação e a tarefa árdua, para além da grande responsabilidade, de unir o País num projeto de alavancagem financeira e de soluções, medidas e posições fundamentais para reerguer económica e politicamente Portugal. Há sinais claros de necessidade e vontade de mudança por parte da população, que já não acredita muito num Governo de esquerda pejado de escândalos. Mesmo que o ativo mais tóxico do mesmo tenha, finalmente, partido (Eduardo Cabrita), os estragos políticos e fundamentalmente morais deixaram marcas que os próximos dois meses não serão suficientes para apagar.
Num momento em que mais do que nunca “a união faz a força”, serão estes os efeitos da polarização partidária? Como é que tudo isto vai mexer com a vida e na carteira dos portugueses? O que vai acontecer com a questão do salário mínimo?
Como sempre, em época de eleições, as promessas de subida do salário mínimo são muitas e presentes. Não sabemos realmente o estado crítico a nível financeiro do País para ter a certeza que serão promessas que se possam cumprir.
A falta de investimento que se viu nos últimos anos e a desastrosa consequência para a economia portuguesa do efeito colateral da Pandemia, bem como algumas das medidas mais radicais do Governo para a conter, embora sem grande resultado, viu a franja empresarial portuguesa desgastada e debilitada. Porém, como as sondagens do período das autárquicas conseguiram demonstrar, predizer o que pode suceder nunca foi tão difícil: o expectável não acontece necessariamente, surpresas podem surgir. Muito irá depender do projeto ganhador nas eleições, que permita utilizar o dinheiro da bazuca europeia de forma inteligente, eficaz e empreendedora, sem esquecer o Plano de Recuperação e Resiliência, a ser cumprido até 2026 (ou seja, até ao findar da nova legislatura da Assembleia da República e do próximo Governo), a maior esperança atual.
No entanto, se não houver atenção para as dinâmicas sociais que têm lugar atualmente em Portugal, situações de clivagem da sociedade, como é visível no Brasil, podem vir a acontecer no nosso País. Um fosso entre muito ricos e muito pobres, a perda de poder económico da chamada classe média e o seu estrangulamento, pode refletir-se, rapidamente, nos comportamentos e com impacto negativo.
A estabilidade, a confiança e a segurança nas ruas serão um sonho do passado, como já temos vindo a assistir em alguns bairros em Lisboa nos últimos tempos. Nem a nossa mentalidade, nem a nossa estrutura como país está montada para deixarmos de ser um país seguro. Porém, estes sinais que têm vindo a crescer nos últimos tempos, são indicadores perigosos de que o nosso modo de vida está a começar a entrar em risco, aumentando, também, a dependência de ajudas do Estado para ultrapassar essas problemáticas.
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Pode ler a entrevista na íntegra na edição nr16 da revista Líder.
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