Futuro do trabalho: o dilema entre Homem e máquina  

A consultora PwC realizou uma das maiores pesquisas às tendências globais no mundo do trabalho, com entrevistas a mais de 32 mil pessoas, entre trabalhadores, proprietários de empresas, estudantes e desempregados, junto de 19 países em representação dos cinco continentes, em fevereiro de 2021.

Após um ano de enormes alterações e um profundo impacto da crise pandémica sobre o trabalho, levando cerca de 114 milhões de pessoas a perder os seus empregos, os resultados agora publicados do relatório “Hopes and fears 2021” no site do World Economic Forum (WEF), mostram que mesmo num cenário de insegurança cerca de metade dos trabalhadores sentem-se confiantes em relação ao futuro. Mas também fez sobressair uma preocupação inerente à evolução dos modelos de trabalho, com 60% dos entrevistados a sentirem os seus empregos em risco pela automação e substituição das pessoas pelas máquinas e havendo cerca de quatro em cada dez entrevistados a considerar que dentro de cinco anos, o seu trabalho ficará obsoleto.

Na sua maioria, os trabalhadores estão prontos para enfrentar novos desafios, tornarem-se mais ágeis e abraçar de maneira positiva a nova era do trabalho digital. A rápida adaptação das pessoas à tecnologia, ao final de um ano de Pandemia, veio trazer outras exigências sobre as organizações como maior flexibilidade e inclusão, sendo que metade dos entrevistados  afirmam ter sentido que perderam oportunidades de carreira ou formação, devido à discriminação.

Temas chave

A pesquisa abordou como as pessoas se sentem em relação à segurança do emprego, diversidade e inclusão, requalificação, teletrabalho remoto e trabalhar para uma organização que tenha um propósito além da atividade comercial e financeira inerente.

A discriminação que ainda é sentida no local de trabalho, em relação à etnia, género, classe ou idade é um sinal de alerta importante. Nas palavras de Bhushan Sethi, líder global da parte organizacional e de pessoal da PwC: “Se os padrões atuais de acesso à formação persistirem, a qualificação inerente irá fazer aumentar a desigualdade social quando deveria estar a fazer precisamente o oposto”. Reforçando o que já se sente entre as dinâmicas de RH das empresas, a grande maioria dos trabalhadores consegue trabalhar remotamente e deseja voltar numa combinação híbrida entre trabalho remoto e presencial, com apenas 9% a afirmar que gostaria de voltar ao ambiente de trabalho tradicional e a tempo inteiro. Para tal, os escritórios do futuro terão de ser redesenhados para se tornarem espaços onde as equipas se reúnam para fazer brainstorming, colaborar e resolver problemas em conjunto.

Futuro dos empregos

A crise pandémica já custou aos trabalhadores em todo o mundo cerca de $3,7 triliões, sendo que em comparação com 2019, de acordo com o relatório da Organização Internacional do Trabalho “COVID-19 e o mundo do trabalho”, as horas de trabalho caíram cerca de 9%.

De acordo com relatório do WEF “O Futuro do trabalho 2020”, a automação do trabalho em conjunto com a recessão provocada pelo COVID-19, construíram um cenário duplamente disruptivo para os empregados, com uma acelerada adoção às tecnologias em algumas áreas.

Projeções apontam para que em 2025, humanos e máquinas gastem as mesmas horas de trabalho no desempenho de tarefas. O referido relatório estima ainda que cerca de 85 milhões de empregos possam vir a ser substituídos por uma mudança do trabalho humano para o mesmo feito por máquinas, enquanto 97 milhões de novas funções podem surgir num futuro próximo.

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