Helen Clark: Lições a aprender com a Pandemia COVID-19

Helen Clark, ex Primeira-Ministra da Nova Zelândia, e hoje co-Presidente do Painel Independente para Preparação e Resposta à Pandemia (Independent Panel for Pandemic Preparedness and Response), participou recentemente no encontro “The Agenda Dialogues”, promovido pelo Fórum Económico Mundial (WEF), a fim de discutir o trabalho feito pelo Painel, deixando algumas conclusões e recomendações para o futuro.

Numa publicação do site do WEF ficam alguns dos destaques da sua intervenção:

  • Coisas que não funcionaram nos primeiros tempos da Pandemia

Apesar de durante muitos anos ter sido feita a advertência sobre o risco de uma futura Pandemia, muitos países não estavam adequadamente preparados para um evento como este.

Após a declaração de Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional feita em fevereiro pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na visão da interveniente parece que o mundo se sentou e esperou, e realmente não usou esse tempo para colocar em prática as medidas que poderiam ter contido mais rapidamente o surto e daí seguiram-se as crises sociais e económicas em larga escala.

  • Um novo sistema de vigilância e alerta

Segundo a co-Presidente do Painel, é preciso um sistema de vigilância e alerta muito mais rápido e transparente, especialmente desenhado para a era digital em que vivemos.

O sistema necessário deve ser baseado nas ferramentas mais atualizadas de forma a ser capaz de detetar e relatar ameaças de Pandemia em horas e dias, e não semanas. Há que ter em conta que vivemos no século XXI e por isso não estamos em tempos de uma praga medieval, em que as doenças viajavam a pé. As infeções e agentes patogénicos podem chegar no próximo avião e não há tempo a perder.

O alerta para uma crise pandémica deve originar uma resposta rápida por parte de todos os países. Quando o Diretor-Geral da OMS declara uma Emergência de Saúde Pública de Âmbito Internacional, a reação tem de ser imediata. No seu entender, as respostas mais bem-sucedidas vieram de países com uma forte liderança de topo, coordenação efetiva de todo o governo, comunicação eficaz com o público e o envolvimento da sociedade.

  • Um sistema internacional coordenado

Durante a sua intervenção, Helen Clark alertou para a necessidade de se pensar numa preparação e resposta global como um bem público geral, e isso significa pensar para além da ajuda e da AOD (Assistência Oficial ao Desenvolvimento) de forma a ser considerado um financiamento para esse bem público global, sendo fundamental a criação de um sistema robusto e previamente negociado de ferramentas e suprimentos.

Para ter sido possível lidar com esta pandemia, os sistemas foram remendados, há por isso que aprender com esta lição e implementar sistemas mais permanentes. Para que tal aconteça, o Mundo tem de se unir agora em torno de um sistema mais forte para apoiar a preparação e a resposta perante um perigo claro e iminente. O multilateralismo precisa ser fortalecido, entre a procura de recursos, incentivar ao máximo a cooperação entre os países na partilha de informações e do pesado fardo na contenção de doenças infeciosas.

O Painel Independente para Preparação e Resposta à Pandemia, considera que através da OMS a questão da preparação para uma crise deve ser levada acima do nível burocrático das políticas locais de saúde, para o patamar da regulamentação internacional. É necessário chamar a atenção dos governos e chefes de estado para esta questão, tanto nos nossos países como a nível global, o que pode vir a exigir um tipo de plano de revisão por pares dos sistemas nacionais de preparação.

Cumulativamente, a Pandemia já afetou cerca de 137 milhões de pessoas e 2 milhões e 900 mil mortes em todo o mundo. Em números relativos a 12 de Abril, segundo DGS, em Portugal já houve cerca de 827 mil casos confirmados e 16 mil e 900 óbitos.

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