Heróis de trazer por casa

Sim, somos heróis de trazer por casa, porque cada um está a fazer algo heróico em sua casa. Não são só os que estão na linha da frente que são heróis, que todo o mérito e reconhecimento devem ter, somos todos nós!

Atos heróicos que fazemos em casa:
– quando tomamos decisões importantes que nos apertam o coração: se devemos ou não deixar as nossas crianças retomar a creche; se devemos deixar os nossos pais, já com idade avançada, nos lares;
– quando queremos um tempo para nós e não o temos. Falo aqui dos casais com filhos. Como se pode ser perfeito em tudo? O que dá azo a arriscar que nos dias que correm ser imperfeito é o perfeito. Como conjugar trabalho, família e afazeres domésticos?
– falo dos pais que estão em teletrabalho (e que sorte se forem os dois!) e têm que acompanhar os filhos em aulas virtuais, e que não se podem dar ao luxo de não cumprir o que está destinado em termos organizacionais. Ironia das ironias, estudos científicos demonstram que nestes tempos de pandemia o teletrabalho está a resultar muito bem e a eficácia de algumas empresas até cresceu;
– falo daqueles que estão com trabalhos precários e não sabem se no final disto tudo vão ter que procurar, ou não, outro emprego;
– das crianças, que deixaram de brincar nas ruas livremente e cujas rotinas foram totalmente alteradas;
– daqueles que não têm meios de sustento suficientes e cujas contas não param de chegar;
– os que estão em vias de perder os seus negócios mas com esperança renovada em os retomar;
– daqueles que vivem sós e não têm com quem partilhar as suas angústias e a sua solidão;
– daqueles que estão longe dos que amam e não sabem como eles estão;
– dos que perdem entes queridos nestas alturas e não lhes prestam a homenagem que desejariam;
– aos jovens que terminam os seus cursos de licenciatura e mestrado, neste ano letivo, e não têm direito à sua Queima – marco tão importante na vida deles;
– aos que têm um sistema imunológico fragilizado e que estão em casa e têm de se arriscar em sair para os seus tratamentos;
– a todos os que tem que estar “junto” daqueles que os maltratam, física e psicologicamente;
– entre muitos outros;

… somos ou não somos heróis?

Abraço a todos aqueles que precisam de um, estamos juntos!


Por Ana Pinto, professora na Universidade de Coimbra e Consultora em Recursos Humanos

 

Artigos Relacionados: