“Imunidade de rebanho” é possível até ao Outono, “normalidade” até final de 2021

O especialista americano das doenças infeciosas, Anthony Fauci, avançou com uma previsão do momento em que a pandemia pode chegar ao fim. Disse, a meio de dezembro de 2019, que se a próxima campanha de vacinação correr bem, os EUA poderiam conseguir a “imunidade de rebanho” até ao final do verão e “a normalidade” até ao final de 2021.

Fauci, que é Diretor do Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infeciosas, explicou que a estimativa depende do número de americanos dispostos a serem inoculados com uma das várias vacinas que estão em várias fases de desenvolvimento.

Se 75% a 80% dos americanos forem vacinados no início do segundo trimestre deste ano, então, meses mais tarde, os EUA deverão atingir o limiar da “imunidade do rebanho.” Se os níveis de vacinação forem significativamente mais baixos, de 40% a 50%, pode demorar muito tempo a atingir esse nível de proteção.

“Se conseguirmos 75% ou 80% da população vacinada, e se o fizermos com eficácia suficiente durante o segundo trimestre de 2021, quando chegarmos ao fim do verão, ou seja, ao terceiro trimestre, poderemos de facto ter “imunidade de rebanho” suficiente para proteger a nossa sociedade”, avança Fauci.

Neste caso, quando chegarmos ao fim de 2021, poderíamos estar próximos de algum grau de “normalidade”, ou seja, próximos do ponto em que estávamos antes, defendeu o médico durante um evento patrocinado pela Harvard T.H. Chan School of Public Health e pelo New England Journal of Medicine.

Citado pela The Harvard Gazette, disse ainda que as máscaras continuarão a ser necessárias, mesmo após o início da vacinação. É que ainda não está provado que as vacinas parem a transmissão do coronavírus.

Outro assunto abordado no mesmo evento foi o nível preocupante de incumprimento das medidas básicas e simples de saúde pública, algo perigoso se se traduzir numa falta de vontade de tomar a vacina. Estudos recentes do Pew Research Center indicam que os americanos que dizem que tomariam a vacina subiram de 51% em setembro para 60% em novembro de 2019. Um número perigosamente baixo se o objetivo for atingir níveis suficientemente altos para parar a transmissão e acabar com a pandemia.

Efeitos secundários da vacina

Tanto Fauci como outros peritos presentes no evento disseram que efeitos secundários raros e graves como as reações alérgicas ocorrem por vezes quando uma vacina é amplamente distribuída, porque atinge muito mais pessoas do que um ensaio clínico, incluindo algumas com problemas de saúde ou perfis genéticos que as tornam suscetíveis a reações graves.

É por isso que as vacinas são monitorizadas mesmo depois de serem distribuídas à população em geral. É também em parte por isso que os EUA estão a apoiar várias vacinas, na esperança de que os raros efeitos secundários observados com uma vacina estejam ausentes noutra.

Contudo, é de notar que as reações alérgicas não levaram a uma recomendação para suspender as vacinas, mas sim para aumentar a vigilância de modo a que as pessoas propensas a reações alérgicas graves não tomem a vacina ou a tomem apenas com ajuda médica próxima, no caso de ocorrer uma reação grave.

Para a ex-Comissária da Food and Drug Administration, Margaret Hamburg, outra questão central, ainda sem resposta, é se as vacinas, cujos ensaios demonstraram que evitam que as pessoas adoeçam gravemente e morram de COVID-19, também evitam que as pessoas fiquem infetadas em primeiro lugar e, mais importante, que o vírus seja transmitido a outras pessoas.

Pode acontecer, disse Anthony Fauci, que mesmo que as vacinas não previnam a infeção, mantenham níveis de vírus tão baixos que impeçam a sua transmissão. Estas questões pendentes, porém, são a razão pela qual é necessário usar máscara, manter a distância social e seguir outras medidas de saúde pública, mesmo por pessoas que tenham sido vacinadas – até conhecermos todas as respostas.

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