INE: Quebra do consumo, investimento e exportações do Turismo explica descida de 16,3% do PIB

O Produto Interno Bruto (PIB) desceu 16,3% no segundo trimestre deste ano face ao mesmo período do ano passado, e de 13,9% em comparação com o trimestre anterior. Os dados foram publicados pelo Instituto Nacional de Estatística na semana passada.

Esta forte quebra reflete o impacto económico da pandemia e “o resultado é explicado em larga medida pelo contributo negativo da procura interna” e da “expressiva contração” do consumo privado, bem como do investimento, conclui o INE no comunicado sobre as Contas Nacionais Trimestrais – Estimativa Rápida do 2º trimestre de 2020.

Na estatística divulgada na passada sexta-feira, o resultado do PIB é revisto em baixa em 0,2 pontos percentuais – de 16,5% para 16,3% – face ao divulgado no fim de julho, mas mantendo valores de contração histórica da economia portuguesa.

A procura externa líquida foi negativa no segundo trimestre (-4,4 pontos percentuais), traduzindo a diminuição mais significativa das exportações de bens e serviços que a observada nas importações de bens e serviços.

Para esta quebra contribuiu em grande medida a quase interrupção do turismo de não residentes, realça o INE. Comparativamente com o 1º trimestre de 2020, o PIB diminuiu 13,9%. Este resultado é também explicado principalmente pelo contributo negativo (-10,7 pontos percentuais) da procura interna e da procura externa líquida (-3,2 pontos percentuais).

Efeito da pandemia

Estes resultados correspondem à segunda estimativa do PIB para o 2º trimestre de 2020 e refletem os efeitos da pandemia COVID-19 na atividade económica. “Foram tomadas em Portugal diversas medidas de contenção à propagação do COVID-19, tendo sido anunciado o encerramento das escolas e universidades no dia 11 de março (com efeitos a partir do dia 16 de março) e decretado o estado de emergência no dia 18 de março, que ditou o encerramento temporário de várias atividades económicas e restrições à livre circulação de pessoas”, recorda o INE.

O estado de emergência em Portugal foi sendo renovado: o terceiro e último período terminou a 2 de maio e a situação de calamidade teve início a 3 de maio. A reabertura das lojas com acesso direto para a rua (de forma gradual e condicionada à área das superfícies) iniciou-se a 4 de maio, retomando a 18 de maio as aulas presenciais em escolas secundárias, bem como a reabertura de creches, equipamentos culturais, cafés e restaurantes.

Destaca-se ainda a reabertura dos centros comerciais (exceto na Área Metropolitana de Lisboa) e o fim do dever cívico de recolhimento a partir do dia 1 de junho. A situação de calamidade foi mantida até ao dia 30 de junho.

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