Albert Einstein escreveu: «Temo o dia em que a tecnologia ultrapasse as nossas interações humanas; o mundo terá então uma geração de idiotas.» Então, que impacto terão a IA e outras tecnologias no local de trabalho em 2056? Será para «melhor» ou para «pior»?
Quase todas as mudanças tecnológicas têm muitos críticos que previram consequências desastrosas, desde a Revolução Industrial, nas fábricas de algodão, do início do século XIX, até aos computadores e à World Wide Web, em tempos mais recentes. Já ouvimos muitos pessimistas afirmarem que estas mudanças irão conduzir a graves perdas de postos de trabalho, a uma era de lazer com semanas de trabalho de 20 horas (prevista pelo primeiro-ministro do Reino Unido, Harold Wilson, na década de 1960, com o advento dos computadores) e à subordinação dos seres humanos às máquinas no frenesim da IA!
A realidade, porém, é que a maioria das mudanças tecnológicas ao longo de dois séculos levou a poucas perdas de postos de trabalho, mas a muitas reestruturações laborais; não a menos horas de trabalho, mas a horas de trabalho mais longas, e os humanos continuam a gerir a interface homem-máquina.
Mais benefícios e menos monotonia. Será?
Do ponto de vista do stress e do bem-estar no local de trabalho, existem muitos benefícios potenciais da IA e de outras tecnologias relacionadas. Em primeiro lugar, estas tecnologias estão atualmente a eliminar, e irão continuar a eliminar, os aspetos mais repetitivos e enfadonhos dos empregos, permitindo que as pessoas se concentrem nas tarefas mais importantes do seu trabalho e tenham mais tempo para reflexão, a fim de criar novos produtos e serviços, deixando para trás o «stress da monotonia».
Em segundo lugar, as novas tecnologias, como a IA, vão ajudar a criar novos postos de trabalho, em produtos e serviços, mais inovadores. Isto deverá conduzir a uma maior produtividade e a um crescimento mais sustentável. Grande parte destes benefícios depende da forma como a mudança é gerida, e o problema, tanto no mundo desenvolvido como no mundo em desenvolvimento, é que muitos gestores de linha podem ser tecnicamente competentes, mas têm menos competências sociais e inteligência emocional.
A menos que comecemos a recrutar gestores de linha, desde os cargos de topo até ao chão de fábrica, que tenham um equilíbrio entre as suas competências técnicas e as suas competências interpessoais, os benefícios da IA não serão alcançados. Gerir a mudança, com os colaboradores envolvidos e no «centro das atenções», será fundamental nos próximos anos. Até 2056, acredito que teremos gestores de linha em toda a hierarquia das organizações, dotados das competências necessárias para gerir a mudança tecnológica exigida, de forma a tirar o máximo partido da IA e minimizar o stress associado à mudança.
No entanto, existem muitas desvantagens pessoais para os trabalhadores no que diz respeito à IA, em termos de saúde, bem-estar e satisfação profissional.
Em primeiro lugar, embora a IA tenha um grande potencial, se os indivíduos dependerem excessivamente da tecnologia para realizar todos os aspetos do seu trabalho, podem perder as suas capacidades criativas e tornar-se menos satisfeitos com o trabalho, menos inovadores, menos eficazes e mais vulneráveis à perda de emprego.
Tal como Mark Twain escreveu: «Se sempre fizeres o que fizeste, terás sempre o que sempre tiveste!» (If you always do what you always did, you’ll always get what you always got!).
As pessoas também podem depender tanto da tecnologia da IA que deixem de avaliar adequadamente os seus resultados, o que, em última análise, pode afetar negativamente a sua segurança no emprego e o seu nível de stress profissional. Todas as tecnologias têm as suas falhas! Como afirmou Winston Churchill: «Melhorar é mudar; ser perfeito é mudar frequentemente.»
Assim, será que a IA e outras tecnologias, nos próximos 30 anos, irão reduzir o stress no local de trabalho, o esgotamento e a falta de bem-estar mental? Provavelmente não por si só, mas em conjunto com uma melhor gestão da mudança, uma gestão de linha mais envolvente e emocionalmente inteligente e a garantia de que a criatividade humana, a autonomia no trabalho, o reconhecimento pessoal, o cuidado e o apoio, acima da inteligência artificial, são essenciais para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores.
Como escreveu John Ruskin, o reformador social britânico, em 1851, no início da Revolução Industrial: «Para que as pessoas possam ser felizes no seu trabalho, são necessárias estas três coisas: têm de estar aptas para ele, não devem trabalhar em excesso e têm de sentir que têm sucesso nele.»
Este artigo foi publicado na edição nº 34 da revista Líder, cujo tema é ‘Depois do Amanhã’. Subscreva a Revista Líder aqui.


