Isabel Heitor: «O vírus teima em ficar, a lembrar-nos que o importante são as pessoas»

Neste período, não vão sobreviver aqueles que denunciam falta de soft skills, aqueles que não se compaginam com a gestão da incerteza, mudança e resiliência. Vaticina Isabel Heitor, directora de Recursos Humanos da ANA Aeroportos.

Receia que estes tempos não sejam suficientes para mudar a cultura das empresas, mas quer acreditar que vão provocar algumas mudanças, muito além do trabalho remoto. «Vivemos momentos que apelam, ao silêncio e ao saber escutar. Curioso que muitos falam no “vírus silencioso”. Mas o vírus teima em ficar, como que a lembrar-nos que o importante são as pessoas», dispara em tom certeiro.

Isabel tem uma carreira sólida na área de Recursos Humanos em organizações de diversas indústrias, tendo sido a sua experiência recente no setor do Turismo, concretamente ligada à Hotelaria. Foi diretora de Recursos Humanos do Grupo Pestana para a região da América e Europa bem como das Pousadas de Portugal. Na sua experiência anterior na Accor Hotels, Isabel teve oportunidade de desenvolver uma carreira internacional, a viver em Paris, como vice-presidente de Recursos Humanos.

A sua paixão pela Gestão de Recursos Humanos levou-a igualmente a funções de liderança em Associações desta área de especialização profissional (APG), a par da atividade académica que exerceu regularmente como professora na Universidade Europeia e ISPA.

Na sua formação académica, conta com uma licenciatura em Gestão de Recursos Humanos, mestrado em Comportamento Organizacional, licenciatura em Ciências Psicológicas, pós-graduação em Marketing e doutoranda em Gestão.

Focada no aqui e agora, Isabel afina o diapasão da sua gestão. «Respeitar a individualidade, e agregar as suas diferenças num todo harmonioso. Essa será a magia da nossa função. Melhorar a comunicação sendo capazes de a ajustar a cada um, ser resilientes para cair, levantar e aceitar que o aqui e agora é o mais importante, respeitar o próximo, ter agilidade para decidir e uma enorme capacidade para resolver problemas. Ser capaz de sair da zona de conforto e encarar esse desafio como algo de muito positivo».

Colocámos a pergunta: Que tipo de cultura faz sentido assumir no “novo normal”? a alguns diretores de Pessoas Isabel Heitor aceitou o desafio:

«O mundo já era VUCA antes da pandemia. Uma máxima dos consultores para impressionarem os seus clientes. Em pandemia, sobram a incerteza e a complexidade porque o vírus não é de todo nem volátil nem ambíguo. Temos de aprender a lidar com a incerteza, a gestão do imprevisível e ser capazes de mudar muito rapidamente. Ter capacidade de adaptação, de resolução de problemas e tomada de decisão com pouca informação. Receio que estes tempos não sejam suficientes para mudar a cultura das empresas, mas quero acreditar que vão provocar algumas mudanças, que vão muito para além do trabalho remotamente.

Neste período, não vão sobreviver aqueles que denunciam a falta de certos soft skills que não se compaginam com gestão da incerteza, mudança e resiliência.

Vivemos momentos que apelam, ao silêncio e ao saber escutar. Curioso que muitos falam no “vírus silencioso”. Mas o vírus teima em ficar, como que a lembrar-nos que o importante são as pessoas.

Respeitar a individualidade, e agregar as suas diferenças num todo harmonioso. Essa será a magia da nossa função. Melhorar a comunicação sendo capazes de a ajustar a cada um, ser resilientes para cair, levantar e aceitar que o aqui e agora é o mais importante, respeitar o próximo, ter agilidade para decidir e uma enorme capacidade para resolver problemas. Ser capaz de sair da zona de conforto e encarar esse desafio como algo de muito positivo.

A incerteza é o novo normal. A incerteza leva-nos a focar no aqui e agora.»

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