Além do impacto que a pandemia teve na organização, tal como teve em qualquer outro negócio, a Luz Saúde, enquanto instituição de cuidados de saúde, teve ainda de se saber preparar para tratar doentes com COVID-19.
Foi assim que Isabel Vaz, CEO da Luz Saúde, começou por partilhar a sua experiência à frente do grupo privado de saúde que lidera, o ex-Espírito Santo Saúde que, em 2014, passou das mãos do Grupo Espírito Santo para as da Fosun e da seguradora Fidelidade (pertence ao mesmo grupo chinês). “Fomos atingidos pela pandemia de forma dupla”, disse a executiva durante a quarta edição da cimeira da liderança Leadership Summit Portugal que decorreu ontem no Casino Estoril, em Cascais.
O facto de ser uma doença nova “assustou os médicos” que, como disse, são pessoas extremamente conservadoras. “Houve momentos de grande desorientação”, desabafou perante os colegas de painel moderado por Francisco X. Froes, Presidente da Associação de Alumni do AMBA da Nova SBE.
É aqui que “o líder tem de ser firme, genuíno e consistente.” Isabel Vaz considera ainda muito importante a confiança que tem na sua Comissão Executiva, “para não haver lugar a improvisações e se saber exatamente o que se tem de fazer.” Na Luz Saúde tiveram sorte porque puderam aprender com as lições que os acionistas chineses trouxeram da China onde a pandemia tinha começado cerca de dois meses antes de chegar a Portugal.
Ficámos agora a ter a certeza, para aqueles que ainda não a tinham, de que não há economia sem saúde e que não há saúde sem economia – “a classe política tem nesta crise uma oportunidade para mudar para melhor” destaca, dizendo para terminar quem consegue ver oportunidades nesta crise: “Há sempre quem chore e quem venda lenços e eu estou sempre do lado de quem vende lenços.”
As oportunidades da crise
Oportunidade foi também uma palavra usada e sublinhada por Rita Abecasis, partner e CEO da agência de comunicação internacional Amp Associates. A gestora acredita que crise é a conjugação de oportunidade e perigo. “Num momento com este precisamos de não quebrar valores como a confiança, segurança, e proximidade da relação.”

Na empresa que lidera foi importante terem um “plano de gestão de crise” já preparado que se revelou muito útil nesta pandemia. “Conseguimos controlar o impacto que a crise teve nos clientes”, algo essencial no seu ponto de vista.
Também para António Costa e Silva, chairman da Partex Oil and Gas Group, petrolífera com interesses no Médio Oriente e fundada por Calouste Gulbenkian, é muito importante a criação de cenários e a atempada preparação para situações de crise.
Na Partex definiram um cenário de risco sísmico que indica o que se deve fazer se acontecer um terramoto, por exemplo. “Neste momento estamos preparados para agir neste cenário se ele vier a acontecer”, diz Costa e Silva que foi nomeado pelo governo para ajudar na recuperação da economia no pós-crise pandémica.

A teoria dos cenários, que teve o seu estudo de caso mais conhecido na petrolífera Shell na década de 70 do século passado, é seguida pela Partex para preparar “um mundo possível” a partir do conhecimento que se tem hoje, na atualidade. “Não conseguimos prever o futuro, mas devemos preparar o futuro e não confiar na improvisação.”
Pedro Castro e Almeida, CEO do Santander Portugal, está preocupado com a marca que o líder deixa. “Em qualquer crise o líder deixa uma marca pela forma como reage ao que lhe acontece.” O líder do banco espanhol partilhou o que considera serem as três fases dessa batalha.
A primeira é fazer o que é correto e isso tem muito a ver com carater. “Há quem diga que liderar é carater em ação.” A segunda fase é posicionarmo-nos acima do nosso interesse pessoal, “isto é importante porque liderar é servir os outros.” E a terceira é ter uma visão abrangente, um propósito, e conseguir comunicar isso de forma eficaz com a linguagem corporal e não verbal a ter aqui um papel fundamental.
“Hoje um líder já não é aquele capaz de se adaptar às mudanças, mas aquele que é capaz de se adaptar mais rapidamente às mudanças”, diz, reforçando que a velocidade é fundamental para o sucesso da liderança.
Depois do sucesso das edições anteriores, que esgotaram o Salão Preto e Prata do Casino Estoril, a Leadership Summit Portugal voltou este ano ao mesmo local para debater a liderança do futuro, num mundo pós-pandémico.
A 4.ª edição da Leadership Summit Portugal decorreu presencialmente no Casino Estoril ontem para uma plateia reduzida. O evento foi transmitido em direto no canal de TV Líder – Streaming to Inspire, na posição 165 do MEO, e pode ser visto agora em diferido.
Esta é uma iniciativa da Tema Central, do Lisbon Hub dos Global Shapers do Fórum Económico Mundial e da Câmara Municipal de Cascais, com a parceria institucional da CIP – Confederação Empresarial de Portugal, International Club of Portugal, APG – Associação Portuguesa de Gestão de Pessoas, e da APESPE RH – Associação Portuguesa das Empresas do Sector Privado de Emprego e de Recursos Humanos. Para saber mais sobre a iniciativa aceda aqui .
