Isto é essencial em qualquer carreira

Construir uma “tribo” é muito importante para todo o tipo de carreira que ambicione ter, quer seja freelancer ou colaborador a tempo inteiro numa organização, defende Gianpiero Petriglieri, professor associado de Comportamento Organizacional na escola de negócios INSEAD.

Esta é uma das conclusões do estudo que fez com Sue Ashford e Amy Wrzesniewski sobre “trabalhadores criativos que fizeram a independência trabalhar para eles”, nas suas próprias palavras.

Ouviram jornalistas freelancer, consultores, designers, engenheiros de software e formadores, que, curiosamente, partilharam histórias muito parecidas com as dos artistas com quem também conversaram. Ou seja, “histórias de luta criativa, solidão amarga e incerteza crónica.” E, no entanto, a maioria reconheceu que apesar de desconfortáveis esses percursos tinham a vantagem de lhes dar liberdade.

Num artigo para a Harvard Business Review, explica o que considera ser a mais útil e preciosa das nossas ilusões: a ilusão de um ser que é mestre de si próprio – capaz de suportar adversidades, experimentar a liberdade e prestar serviço aos outros.

Um masterful self não é apenas uma fonte de orgulho pessoal, explica, “é uma apólice de seguro e um ativo valioso numa época em que a maioria está profundamente apegada ao trabalho, mas não necessariamente fiel aos empregadores.” Na sua opinião, não devemos esperar que as nossas organizações nos garantam um emprego para toda a vida – somos todos trabalhadores independentes.”

Em muitas empresas, a mobilidade define o talento: as pessoas que se sentem mais seguras são aquelas que sabem que podem sair, e as pessoas que as organizações estão mais desesperadas por manter são aquelas com amplas opções noutros lugares.

Trabalhadores freelancer e gestores podem parecer muito diferentes, mas têm muito em comum. Sermos mestres ou donos de nós próprios, o que o autor chama de masterful self, é útil porque nos protege da solidão e da incerteza de trabalhar por conta própria ou mudar de um emprego para outro. Mas aqui há um problema, alerta Gianpiero Petriglieri: não podemos alcançar e manter um eu que é mestre de si próprio por conta própria. “Até podemos ser nómadas, mas precisamos de uma tribo.”

A importância de ter uma “tribo”
As pessoas que estudou descrevem que têm uma comunidade restrita, muitas vezes um punhado de pessoas, que abordaram na sua vida profissional. Em vez de exigir conformidade em troca de segurança, essas comunidades mantêm as vidas de quem as compõe empolgantes e estáveis ajudando-as a dominar a sua vida profissional.

As “tribos” são espaços fortes, não apenas espaços seguros. Além de nos aceitarem como somos, dão-nos coragem. São uma fonte de perguntas, não apenas de conselhos. Mais do que um conjunto de especialistas que servem de recursos quando precisar, as “tribos” levantam questões que nos ajudam a explorar os limites de nossa competência e identidade.

Mas, por mais difícil que pareça, sugere o autor, os profissionais não conseguem encontrar essas comunidades. Têm de as construir. Os líderes que não têm uma “tribo” podem achar difícil liderar, e aqueles cujas organizações têm muitas tribos também podem ter problemas. E, no entanto, precisamos dessas comunidades abertas. “Sem elas, seria impossível lembrarmo-nos quem somos e imaginar quem nos poderíamos vir a tornar”, diz para concluir.

 

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