Já é CEO? Agora tente ser um LEO

Talvez tenha cumprido o maior objetivo da sua carreira ao tornar-se CEO. E agora? Para onde vai a partir daqui? Tenho uma sugestão para si: subir de CEO para LEO.

CEO, como todos já sabemos, significa Chief Executive Officer. O que lhe proponho é transformar-se em Leader Executive Officer, ou LEO. A diferença não é meramente estilística. Ser um “chefe” ou ser um “líder” supõe uma atitude completamente distinta. É certo que ambos são responsáveis por concretizar a visão que têm para a empresa e apresentar resultados. A questão é como o fazem.

Um “chefe” dirige as operações. Espera que cada um cumpra a sua função, tal como é a sua obrigação. Considera que os funcionários são seus subordinados e cria uma expectativa de obediência. Muitos CEO que optam por este estilo autoritário acreditam que é a única forma de impor respeito, e acabam por ganhar o temor – mas não a admiração – da sua equipa.

Um “líder” é quase exatamente o oposto. Não é por acaso que existe a expressão “liderar por exemplo” e não “chefiar por exemplo”. Um líder prefere o pronome “nós” e adota uma postura de companheirismo. Sabe o nome de todos os membros da equipa, desde o estagiário ao gestor, e o seu papel é orientar a equipa, como se fosse um mentor, e inspirá-la a cumprir os objetivos. Um líder sabe que os trabalhadores felizes são mais produtivos (segundo um estudo de Oxford), pelo que a demonstração de empatia também faz parte da sua estratégia de gestão.

Digamos que, num naufrágio, o chefe ficaria tentado a agarrar num bote salva-vidas e a pôr-se a salvo, porque se considera a pessoa mais importante da empresa. Um líder, por outro lado, seria mais altruísta – o último a abandonar o barco, depois de pôr toda a equipa a salvo. Se esta comparação parece um pouco excessiva, basta pensar nos últimos meses. Quando a pandemia empurrou muitas empresas para uma luta pela sobrevivência, viu mais líderes ou mais chefes à sua volta?

Não é exagero dizer que a COVID-19 virou as nossas vidas do avesso. A pandemia trouxe-nos diversos desafios pessoais e profissionais, mas muitas empresas esqueceram-se que a sua melhor arma é exatamente a equipa que têm nas suas fileiras. Foi uma prova de fogo para todos: chefes, líderes, gestores, colaboradores.

Um chefe talvez tenha colocado trabalhadores em lay-off com um mero email, um líder empático talvez tenha preferido uma chamada de vídeo, para dar as notícias cara a cara. Um chefe considera prorrogar pagamentos a funcionários e fornecedores, um líder prefere atrasar os seus. Um chefe pode ter resistido às medidas de segurança e insistido em manter um funcionamento próximo ao normal, enquanto um líder esteve disposto a fazer cedências para que cada um se ajustasse ao novo ritmo, ao seu ritmo individual.

Agora, faço-lhe a pergunta. Que estratégia será mais motivante para os trabalhadores? Quais sentirão a empresa como “sua”? Em qual dos casos vão dar o seu melhor e continuar a remar contra a crise iminente? Em que casos vão querer continuar na empresa, em vez de saltar para outro barco à primeira oportunidade? Se chegou às mesmas conclusões que eu, o próximo desafio profissional de todos os CEO é converterem-se em LEO.


Por Ana Barros, diretora executiva da OUTMarketing

 

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