João Borges de Assunção: “As exportações podem ser as primeiras a recuperar”

“Podemos criar cenários, mas é impossível prever o que vai acontecer à economia portuguesa no segundo trimestre deste ano”, diz João Borges de Assunção, o responsável pelo Católica Lisbon Forecasting Lab NECEP da escola de negócios Católica-Lisbon.

Na palestra online desta semana, o economista assumiu não ter condições para deixar previsões, apenas cenários, à medida que ia apresentando os dados da Folha Trimestral de Conjuntura, uma análise concluída com base nos dados disponíveis até 20 de março de 2020.

Uma coisa é certa: “estamos perante uma crise de caraterísticas ímpares, marcada por um duplo choque do lado da oferta e do lado da procura”, asseguram os economistas da Universidade Católica.  

“O que sabe é que o confinamento vai afetar a evolução e que mesmo as decisões das autoridades públicas são incertas em virtude do desconhecimento do que poderá ser a evolução da doença”, acrescenta.

Face a uma questão colocada no chat da palestra sobre o impacto da descida para terreno negativo do preço do barril de petróleo, o académico avança que “os preços da energia neste momento são um sinal de fortíssimo abrandamento da procura à escala mundial.”

E a recuperação, para quando será? “A recuperação será rápida nas empresas mais capitalizadas e que estejam prontas para arrancar no 3.º e 4.º trimestres deste ano.” E quais serão os setores que irão puxar pela recuperação? “Não sei”, admite. “Nas crises passadas, as exportações atingiram rapidamente a trajetória clássica. Ou seja, após uma quebra grande é possível que as exportações retomem rapidamente.”

3 cenários para o crescimento do PIB português

Voltando ao que nos espera após esta pandemia, a equipa do Católica Lisbon Forecasting Lab lança uma estimativa de crescimento económico para Portugal em 2020 ao longo de três cenários. Não é algo que nos possa animar, serve apenas para tomarmos o pulso ao nível da derrocada: a contração poderá variar entre 4% a 20%, sendo que o cenário central prevê que o PIB encolha 10%.

Em resumo, num cenário central, em que a fase crítica da epidemia dura cerca de três meses, o PIB encolhe 10% e a taxa de desemprego sobe para os 10,4%. O cenário pessimista antecipa que o controlo da epidemia se prolongue por seis meses e que o PIB encolha 20% e a taxa de desemprego suba para os 13,5%. Já o cenário otimista prevê que a fase crítica não se prolongue muito além de abril: PIB encolhe 4% e a taxa de desemprego sobe para os 8,5%. Mas, avisam, qualquer destes cenários “corresponderá a um agravamento significativo do desemprego e em termos de perda do rendimento das famílias”.

“Estes dados são consistentes com os do Fundo Monetário Internacional”, publicados na semana passada, diz João Borges de Assunção, quando no relatório World Economic Outlook se estimava que a economia portuguesa iria cair 8% em 2020, fruto do apelidado “Grande Confinamento” devido à pandemia da COVID-19, e crescesse 5% em 2021- enquanto o Católica Lisbon Forecasting Lab antecipa em 2020 uma desaceleração em 10% no seu cenário central e um crescimento de 6,5% para 2021 e de 6,2% em 2022. Sinal de que os tempos não são para visões de futuro, o FMI neste relatório não fez previsões para o crescimento do PIB português em 2022.

A fechar a apresentação através da ferramenta de reuniões à distância Zoom, esteve Filipe Santos, reitor da Católica-Lisbon School of Business and Economics, que disse esperar que passado mais de 100 anos da Grande Depressão consigamos evitar as más políticas económicas para sairmos desta crise sem destruir a capacidade produtiva.

Por Maria João Alexandre

 

 

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