Um novo estudo revela que os estudantes universitários e recém-diplomados portugueses esperam receber, em média, 1.325 euros líquidos por mês no primeiro emprego, numa altura em que salário, estabilidade e progressão profissional são as principais prioridades da nova geração.
No entanto, as expectativas salariais não são iguais para todos. Segundo a 10.ª edição do Estudo das Empresas Mais Incríveis de Portugal (EMIP), da Magma Studio, os homens apontam para um salário médio de 1.412 euros líquidos mensais, enquanto as mulheres esperam receber 1.261 euros, revelando uma diferença de 12% ainda antes da entrada no mercado de trabalho.
Os dados mostram que o fosso de género continua presente nas expectativas da nova geração, num contexto marcado pelo aumento do custo de vida, pela crise da habitação e pela procura de maior estabilidade profissional.
O estudo recolheu 5.499 respostas, com uma amostra maioritariamente composta por participantes do género feminino (57%), enquanto os participantes do género masculino representam 42%. Em termos de área de formação ou atividade, 38% dos inquiridos pertencem à área de Tecnologia, 38% à área de Gestão e os restantes 24% distribuem-se por outras áreas de conhecimento.
Salário e estabilidade lideram preocupações dos jovens
O estudo revela que os jovens portugueses têm uma abordagem cada vez mais pragmática à carreira. Entre as principais preocupações destacam-se o custo de vida (16%), a crise da habitação (11%) e a instabilidade política e económica (11%). Perante este cenário, encontrar um emprego estável e com perspetivas de progressão surge como a principal ambição profissional.
Para Miguel Gonçalves, CEO da Magma Studio, as prioridades da nova geração são claras. «A nova geração tem uma relação muito pragmática com o mercado de trabalho. Os jovens querem crescer, aprender e construir carreira, mas estão muito atentos às condições reais que lhes permitem ter autonomia. Salário, progressão, qualidade de vida e transparência são hoje dimensões críticas para qualquer empresa que queira atrair talento jovem.»
Maioria quer começar carreira em Portugal
Apesar dos desafios, a maioria dos jovens continua a querer iniciar a carreira profissional em território nacional. De acordo com o estudo, 83% dos inquiridos preveem começar a trabalhar em Portugal, enquanto 17% admitem emigrar.
Entre aqueles que ponderam sair do país, as razões são sobretudo económicas. 40,7% apontam os salários mais elevados como principal motivação para procurar oportunidades no estrangeiro, enquanto 30% referem melhores oportunidades de formação e progressão profissional.
A mobilidade profissional não se limita, contudo, à emigração. Cerca de dois terços dos jovens afirmam estar disponíveis para mudar de cidade ou região caso surja uma oportunidade de emprego atrativa.
Inteligência artificial gera receios nos processos de recrutamento
A crescente utilização de ferramentas digitais e de inteligência artificial nos processos de recrutamento está também a gerar apreensão entre os candidatos mais jovens. Mais de um quarto dos inquiridos acredita que os processos de seleção serão cada vez mais filtrados por sistemas de IA, aumentando o receio de serem excluídos por algoritmos sem qualquer explicação ou feedback.
Google continua a ser a empresa mais desejada pelos jovens
O estudo avaliou também quais são as empresas mais atrativas para estudantes universitários e recém-diplomados. No ranking global, a Google mantém a liderança, seguida da Microsoft e da Deloitte.
O Top 10 fica completo com:
- Microsoft
- Deloitte
- BMW Group
- Sonae
- EDP
- Bosch
- Siemens
- Mercedes-Benz
- PwC
Os resultados mostram que a notoriedade continua a ser importante, mas já não é suficiente para conquistar talento jovem.
Tecnologia continua a ser o setor mais atrativo
Quando questionados sobre os setores onde gostariam de iniciar a carreira, os jovens colocam as Tecnologias da Informação e Comunicação no topo das preferências.
Seguem-se:
- Consultoria;
- Automóvel e Transportes;
- Bens de Consumo;
- Banca e Seguros.
A preferência pelas áreas tecnológicas acompanha a crescente digitalização da economia e a procura por profissões associadas à inovação e à transformação digital.
Atrair talento exige mais do que uma marca forte
O estudo conclui que as empresas enfrentam um desafio crescente para conquistar os profissionais das novas gerações. Além de uma remuneração competitiva, os jovens valorizam cada vez mais aspetos como:
- Oportunidades de aprendizagem;
- Progressão de carreira;
- Qualidade de vida;
- Estabilidade profissional;
- Transparência nos processos de recrutamento.
A capacidade de responder a estas expectativas poderá tornar-se um fator decisivo para atrair e reter talento nos próximos anos.


