Líder da UNI Global Union vai defender a redistribuição de poder na Conferência de Davos


Christy Hoffman, secretária-geral da UNI Global Union, diz que não existe uma transição ou solução para a desigualdade sem a voz dos trabalhadores. A UNI Global Union é um sindicato global que representa 20 milhões de trabalhadores de competências e serviços, os setores que mais crescem no mundo.

A propósito da 50.ª Conferência que o Fórum Económico Mundial vai realizar em Davos, na Suíça, Hoffman solicita uma redistribuição urgente do poder que está, neste momento, nas mãos de grandes elites económicas para os trabalhadores: “Não temos mais 50 anos para fazer a decisão certa – a altura de agir é agora. Nós precisamos de uma mudança urgente para salvar o nosso planeta, as nossas democracias, e para conseguirmos alcançar algum equilíbrio entre poder e riqueza”.

O novo manifesto de Davos argumenta que o Capitalismo de Acionistas é a forma de enfrentar as desigualdades crescentes no mundo. Hoffman vai defender que para o Capitalismo de Acionistas representar algo diferente do que foi feito no passado, precisa de envolver os trabalhadores, os acionistas mais importantes. Estes precisam de ter poder nas mesas de negociação dos salários e das condições de trabalho: “Não existirá uma transição justa ou solução real para a desigualdade sem os trabalhadores e negociações coletivas. Precisamos de uniões fortes para contrabalançarem o modelo destrutivo de negócios que coloca o lucro dos acionistas acima das pessoas e do planeta”.

A secretária-geral da UNI Global Union reforça que “não basta os empregadores oferecerem uma parcela das mudanças e de um equilíbrio melhor da vida e do trabalho. Precisamos de uma mudança no poder para poder permitir a verdadeira voz dos trabalhadores através das negociações”.

Países com mais negociações têm melhores resultados, globalmente. De acordo com relatórios da OCDE, ILO e do Acordo Global, países com mais negociações coletivas têm uma malha social mais forte, melhor crescimento e conseguem resistir melhor a alterações económicas com menos perturbações.

Para tal, Hoffman exige um novo conjunto de regras para restaurar a economia global que incluem um elevado suporte a negociações coletivas, a devida diligência para os recursos humanos em todas as empresas, a redistribuição da riqueza através de tributação e uma maior regulação para monopólios digitais como a Amazon.

Christy Hoffman vai estar no Fórum Económico Mundial em Davos, de 21 a 24 de janeiro, nos seguintes painéis: “Caregiving in the New Economy” (22 de janeiro), “The Inclusive Business Model” (23 de janeiro), “Accounting for Human Capital” (24 de janeiro).

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