Liderança em (ininterrupta) inovação

A Kathrein Automotive é um dos principais especialistas internacionais em tecnologias fiáveis e de alta qualidade de comunicação e transmissão de dados no setor automóvel, o que a torna num dos líderes de inovação e tecnologia no mundo interligado de hoje.
Em entrevista à Líder, o diretor-geral da Kathrein Automotive Portugal, Miguel Pinto, explica que o sucesso da companhia se deve à união entre a filosofia empresarial – assente na paixão pela qualidade de um conjunto de colaboradores fortemente empenhados – e a missão da empresa que continua, desde sempre, a ser orientada por uma constante vontade de inovar.

Líder (L): A que se deve o sucesso da Kathrein Automotive Portugal?

Miguel Pinto (MP): O sucesso da Kathrein deve-se à elevada qualidade e envolvimento do seu capital humano, a uma estratégia de formação contínua e valorização dos seus colaboradores, associado a um investimento e investigação constante em novas tecnologias state of the art que nos permite fazer face às elevadas exigências dos nossos clientes.

L: Enquanto empresa familiar, a Kathrein evoluiu imenso ao longo de três gerações. O truque é ter os olhos sempre postos no futuro?

MP: Apesar de se tratar de um grupo familiar, a sua atual dimensão global (7000 colaboradores por todo o mundo e 800 milhões de volume de faturação global), obrigou a que a sua gestão fosse feita de forma profissionalizada.
Sendo a nossa indústria uma indústria de ponta em constante evolução, e vivendo nós num cenário global fortemente marcado pelo VUCA (volatility, uncertainty, complexity and ambiguity), no qual o crescimento da tecnologia evolui a uma velocidade exponencial, obviamente que não poderíamos sobreviver sem haver uma constante aposta no desenvolvimento de novos produtos, de novos modelos e de novos processos, tão críticos para podermos prevalecer no contexto atual e de acordo com as exigências do nosso setor.
A inovação é, assim, uma constante não só a nível do produto, mas também ao nível dos processos produtivos e da própria gestão, levando o capital humano envolvido a uma constante procura de soluções disruptivas, pois a inovação é hoje uma necessidade competitiva e até de sobrevivência.

L: Recentemente, arrancaram com a segunda fase da expansão em Portugal, com mais dois mil metros quadrados de área produtiva e administrativa, onde foi feita também uma aposta no desenvolvimento de componentes. Que impacto tiveram estes investimentos no volume de negócios da empresa e na economia local?

MP: Devido à aquisição das instalações de Vila Real por parte do Grupo Kathrein, pretendeu-se transformar uma pequena unidade industrial local, no principal “site” de produção de todo o grupo Kathrein.
Como exemplo, podemos destacar alguns indicadores:
– Em 2013 (altura em que se iniciou o crescimento acentuado): seis milhões de antenas produzidas por ano e cerca de 150 colaboradores.
– Em 2017, produzimos 14 milhões de antenas contando com uma equipa de 450 pessoas.
O plano de expansão previsto ainda não está totalmente concluído, mantendo-se este crescimento até meados de 2021, com um consequente aumento do número de antenas produzidas para cerca de 22 milhões/ano e um crescimento previsível do número de colaboradores, o que nos torna no maior empregador privado do distrito.
Outro exemplo relativo ao impacto na economia local prende-se com a implementação da área de inovação e desenvolvimento ao nível do BI (Business Intelligence) do processo produtivo, projetos estes em parceria com a UTAD e com apoio da autarquia local. O impacto deste processo de crescimento na cadeia de valor é de extrema relevância para garantir a longevidade do investimento e da criação de emprego qualificado na região de Trás-os-Montes.

L: Como se lidera uma equipa com tantos colaboradores e com perfis tão distintos?

MP: Na Kathrein Automotive Portugal há uma cultura bastante informal e aberta, de escuta ativa e de grande proximidade. Por isso, a liderança que assumo, e que espero servir de exemplo para as minhas equipas, é baseada no bom senso, respeitando a individualidade de cada um, ou seja, a equidade deve ser o denominador comum subjacente às diferentes tomadas de decisão. Temos mais de 450 pessoas com perfis muito distintos. A preocupação de um líder, no meu entendimento, é o de criar todas as condições possíveis para que cada um dos nossos colaboradores possa desenvolver o seu potencial, conjugando de forma equilibrada a sua vida pessoal com as exigências da vida profissional. Uma boa gestão de pessoas é toda a gestão que consegue um equilíbrio entre as necessidades e exigências do negócio e as necessidades das pessoas e respetivas expectativas.

L: Entre os clientes da Kathrein estão marcas como a BMW, a Mercedes, a Audi, a Volvo ou a VW. O profissionalismo e o rigor exigidos não dão margem para erro?

MP: Não, a Kathrein Automotive Portugal é fornecedor de 1.ª linha. Fazemos parte de uma indústria de muita exigência e rigor, incutida pelos diferentes clientes que temos. No entanto, a aposta no crescimento que tem sido a estratégia definida pelo nosso CEO está em linha com a confiança que os nossos clientes depositam na qualidade e elevada tecnologia das nossas antenas.

L: Este novo mundo tecnológico em que estamos constantemente conectados é uma espécie de oásis de oportunidades para a Kathrein?

MP: Sim, efetivamente verifica-se que a tendência do mercado de comunicações em que estamos inseridos é de crescimento acentuado. A título de exemplo, um veículo hoje tem em média cerca de cinco antenas, número este que se prevê aumentar para o dobro nos próximos anos. A condução autónoma, que será uma realidade dentro de poucos anos, é um dos fatores que mais irá acelerar este crescimento, aliado ao aparecimento da tecnologia 5G, que irá fundamentalmente ser suportada sobre três vértices: multi-conexão, elevadas taxas de transferência e elevadíssima fiabilidade com ultra baixa latência, aumentando e proporcionando as condições e a necessidade de comunicação nos automóveis, comunicação essa que tem nas antenas um elemento chave, pois são estas as responsáveis pela receção e transmissão dos dados.

L: O futuro das nossas sociedades passa obrigatoriamente pelas smart cities? É neste contexto que se explica a Kathrein’s Network Vision 2022?

MP: Apesar da Kathrein Automotive Portugal ter um âmbito de atuação na indústria automóvel, as outras divisões do grupo estão a promover uma visão integrada de comunicações para as futuras smart cities. Tecnologias como o 5G, o DSRC e o V2X estão claramente na agenda da Kathrein’s Network Vision 2022, sendo estas as tecnologias que se crê virem a ser os pilares e pilotos de suporte à comunicação nas smart cities, com a massificação da tecnologia de informação e equipamentos muito mais avançados que simples telefones – os smartphones são, hoje em dia, equipamentos que, por acaso, permitem fazer chamadas telefónicas e não telefones com aplicações extra –, pelo que todos nós iremos estar, em alguns anos, conectados com tudo e com todos. No que diz respeitos aos veículos, estas tecnologias irão permitir, numa primeira fase, assegurar elementos críticos de segurança – como, por exemplo, a comunicação de acidentes, condução colaborativa, comunicação com via e sinalização, prioridade em cruzamentos, etc.

L: Até onde nos vai levar a tecnologia?

MP: A tecnologia tem permitido um aumento da qualidade de vida muito significativa e é um fator sem o qual não podemos viver, mas claro que coloca algumas questões no que concerne à cibersegurança e proteção de dados. O que também é certo é que nós, como seres humanos, já não sabemos sobreviver sem esta evolução tecnológica. Posto isto, o mais importante será educarmos o futuro do nosso mundo, em muitos casos os nossos filhos, para o uso dessas tecnologias de modo ético e informado, pois a tecnologia pode (e deve) ser usada para a criação de um mundo melhor, hoje e para o futuro, e um dos exemplos maiores é a emissão de carbono e as energias renováveis, que no nosso mercado está bem representado pelos carros elétricos e quiçá a hidrogénio.

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