Liderança em tempos de mudança e crise

Perante um cenário atual cada vez mais exigente, complexo, com novas tecnologias, mudanças económicas, políticas e sociais que podem afetar o mercado de trabalho de uma forma geral, o papel do líder passa a ser de extrema importância no contexto organizacional e das equipas.

Em situações de mudança e crise cabe ao líder introspeção, ter plena consciência das suas atitudes, não perder o foco e, principalmente, neutralizar as emoções e sentimentos negativos perante as adversidades, como a tristeza, raiva, ansiedade e medo. Deve decidir a “intensidade” e o “tempo” de cada emoção e sentimento, gerindo e evitando que ultrapassem os limites. Não deve gritar com colegas, membros da equipa, nem demonstrar raiva, impactando de forma negativa a sinergia da equipa.

Uma das características que se instala em momentos de mudança e crise é o “medo”. O medo só faz pensar a curto prazo e diminuir a visão, neste momento é importante pensar de forma estratégica, a médio e longo prazo.

As crises e mudanças acontecem e a organização tem de continuar, por isso a importância de se pensar a médio e longo prazo, ter uma visão mais ampla da situação, focando-se no regresso, no crescimento organizacional sustentável.

Sugiro antes de qualquer ação, fazer a pergunta: se eu tomar esta decisão agora o que pode impactar a médio e longo prazo?

Algumas competências impõem-se cruciais em tempos de gestão de mudança e crises: a flexibilidade, multifuncionalidade, facilidade de adaptação a novos contextos, foco, clareza nas ações e uma comunicação clara e eficaz perante a equipa dentro da organização. Acredito, também, na importância de uma “visão sistémica”, ou seja, a visão de tudo e do todo, saindo da ilha, como disse o escritor José Saramago: “É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós”.

Perante esta reflexão, os líderes têm de sair da ilha, sair de cena, sair de si, olhar e observar de fora. Primeiro começar por se observar a si próprios, por exemplo, a postura, se está adequada ou não, como faz a gestão da palavra, se no seu discurso utiliza habitualmente palavras negativas, que ferem e desmotivam, ou palavras motivadoras, bem como o tom de voz, como gere a energia pessoal.

Ter a perceção de como andam os ânimos dos membros da equipa, interagindo e incentivando-os quando necessário, além de atribuir responsabilidades a cada membro, é igualmente importante que saiam das posições confortáveis e vivenciem novas ideias e experiências. Deixar claro que as mudanças são necessárias, acompanhar as novas tecnologias e tendências, estar atento ao mercado e às políticas externas que podem afetar a área ou a estrutura organizacional como um todo.

Ter uma visão sistémica trata-se de uma tendência do presente e futuro. É ter uma visão mais ampla de si, das pessoas, do negócio, da organização como um todo e do que acontece no mundo. É como a ponta do iceberg, ou só se observa a parte visível, fora da água, a visão limitada, ou se consegue ver toda a estrutura, incluindo a parte submersa e o que tem dentro dela.

Tendo esta visão mais ampla consegue-se chegar e tomar decisões mais assertivas, obtendo melhores resultados, tanto pessoais como organizacionais, em tempos de mudança e crise que possam vir a surgir.

Por: Claudio Luvi, palestrante comportamental | mentor & coach de Carreira e Liderança

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