Liderança Empática, o sucesso de qualquer empresa

As empresas habitam num ecossistema competitivo e impiedoso em que qualquer erro, é fatal. E numa fase inicial de arranque de uma organização, não se trata só de aumentar a quota de mercado ou de criar a notoriedade da marca: é sobrevivência pura e dura, dia após dia, num corre-corre entre rondas de financiamento e/ou objetivos de venda que ficam sempre aquém das despesas da empresa.

Quanto tempo dura esta fase? Depende. Para algumas empresas, só dura o suficiente para queimar o rastilho do capital inicial. Sabia que quase 7 em cada 10 startups tecnológicas falham, geralmente 20 meses após terem recebido a primeira ronda de investimento?

Para aquelas empresas que se mantêm em números negativos, mas vão conseguindo subsistir ou qualificar-se para novas rondas de investimento, arrasta-se mais tempo. Nestas organizações, as equipas vivem sob uma pressão constante. Primeiro de fazer com que as receitas finalmente superem as despesas e, mais tarde, de conseguir criar uma cadência previsível de leads e oportunidades de negócio.

Sem atingir este nível de segurança, é impossível levar a empresa avante: o melhor é fechar portas e “tentar de novo”. Como disse no início, estamos num ecossistema altamente competitivo. Mas, porque insisto tanto neste retrato tão cru? Porque todas as empresas assentam em três pilares, todos igualmente determinantes para o sucesso da empresa: a gestão, os processos e as pessoas. E, as empresas Tecnológicas, não são exceção.

Apesar de pensarmos frequentemente em maneiras de melhorar os dois primeiros com novas ferramentas e estratégias, nem sempre estamos conscientes que é o terceiro pilar que pode estar a falhar. Por isso, hoje quero falar de Liderança Empática, como uma forma diferente de liderar empresas de Tecnologia e, levá-las ao sucesso e à concretização do seu propósito.

“Liderar” é conduzir um grupo a um objetivo comum. O que não é o mesmo que chefiar ou que gerir. Um líder tem uma visão — onde é que a empresa quer chegar? —, sabe implementar uma estratégia para cumprir essa visão e tem a diplomacia necessária para alinhar todos os stakeholders do puzzle.

Um líder empático leva esta noção ainda mais além, porque sabe que o capital humano da empresa, pode valer tanto quanto o capital financeiro. Um líder empático dá o exemplo, inspira e motiva a equipa. Conhece cada membro da equipa e consegue aproveitar os pontos fortes de cada um, para maximizar resultados. E hoje em dia, as pessoas são de facto, o maior asset das empresas Tecnológicas.

Quais são as características de um líder empático? A primeira, claro, é a empatia; a capacidade e a humildade de se colocar no lugar do outro. Um líder empático entende que todos têm experiências diferentes, o que faz com que cada pessoa crie os seus próprios métodos e hábitos de trabalho. Há quem ache que a empatia é uma característica inata, mas também se pode treinar e desenvolver. É um exercício diário.

A segunda característica, é o entusiasmo. Só uma personalidade enérgica consegue motivar a equipa mesmo após as derrotas. A terceira é a cordialidade, a capacidade de ser justo, imparcial e de dar feedback construtivo. A quarta é a serenidade, o manter a calma, a visão e a resiliência perante as adversidades. E a quinta, talvez a mais traiçoeira, é estabelecer limites. Um líder, por mais empático que seja, não é apenas e só mais um membro do grupo.

Este tipo de liderança leva a que as equipas das várias áreas de empresas de Tecnologia, seja Marketing, Vendas, RH e até de desenvolvimento de produto, descubram o seu verdadeiro potencial. Mas também propicia equipas mais diversas e mais versáteis nas suas capacidades, o que promove o pensamento lateral e “fora da caixa” que faz com que tantas empresas se distingam em mercados competitivos.

Por fim, criar um ambiente de trabalho mais calmo e equilibrado com a vida pessoal e profissional, é fundamental. Especialmente quando falamos de empresas de Tecnologia que já estão sujeitas a tantos fatores de stress externos. Este equilíbrio, é a melhor forma de evitar o burnout, baixar a rotatividade da equipa e promover a retenção de talento. Adicionar camadas de pressão e trabalhar constantemente com uma bomba relógio, não traz bons resultados. E aqui, o líder é quem deve dar o exemplo colocando em prática o seu poder de empatia.


Por Ana Barros, diretora executiva da OUTMarketing

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