Líderes e Organizações em Mudança

“A única Constante é a Mudança”. Como disse Heráclito, filósofo Grego, há mais de 2000 anos, uma das poucas certezas que podemos ter é que sempre existe mudança, aliás, penso até que tal como na Física há leis universais como a lei da gravidade, também deveria haver leis universais da humanidade e esta seria uma delas sem dúvida.

A mudança é de facto uma constante nas nossas vidas em todos os seus domínios, pessoal, profissional, nas nossas relações e até na forma como vemos o mundo à nossa volta. No entanto o foco deste artigo visa focar-me mais em como podemos olhar para a mudança enquanto líderes.

Penso que há três grandes dimensões que devemos focar e que estão relacionadas com a resposta e a preparação para a mudança, destas três as duas primeiras têm duas abordagens, a de como reagimos nós próprios enquanto pessoas e líderes e a segunda sobre como reagimos com as nossas equipas. Essas dimensões são:
– Atitude
– Conhecimento / Aprendizagem
– “Social Safety

Atitude
Como em tantas outras coisas nas nossas vidas a nossa atitude perante a mudança é a variável mais importante para o sucesso, o que são óptimas notícias, pois a nossa atitude perante qualquer situação é algo que está sob o nosso controlo.
Devemos primeiramente encarar a mudança como algo maioritariamente positivo, por vezes o uso de palavras como melhoria ou evolução são preferíveis à utilização da palavra mudança, não apenas para nós próprios mas também quando falamos com as nossas equipas. Há aqui um efeito psicológico que é relevante dada a conotação negativa da palavra mudança, basta pensarmos a qual das duas frases, proferidas pelo nosso responsável, iríamos reagir melhor: “Vamos fazer mudanças no seu salário” ou “Vamos fazer melhorias no seu salário”…

É importante também que como líderes saibamos definir que mudanças são importantes de implementar e que sejamos nós a controlar a direção, ritmo e impacto dessas mudanças. Também devemos comunicar com as nossas equipas de forma simples qual a mudança e o que se espera de cada um deles. Falta de comunicação gera dúvidas e cria medo e resistência.

É sempre mais fácil encarar mudança como algo positivo quando somos os impulsionadores da mesma e controlamos, ainda que apenas em parte, o rumo que queremos seguir. Devemos sempre procurar controlar a mudança e não ser arrastados para ela, pois isso é um dos motivos que cria a atitude de vitimização em torno da mudança.

Conhecimento/ Aprendizagem
Uma das melhores ferramentas para que possamos estar preparados para mudanças que nos acontecem, ou, tal como referido acima, para podermos definir o curso da mudança é percebermos que devemos apostar em constantemente renovarmos os nossos conhecimentos, focarmos numa aprendizagem continua e variada, que nos abra horizontes e nos permita sentirmo-nos mais confortáveis.

Devemos como líderes, incutir este comportamento nas nossas equipas e transmitir a importância de investir no reforço das suas competências e na aprendizagem continua bem como incluir este ponto nos seus objetivos anuais e sermos justos, criando tempo e as condições apropriadas para que possam fazê-lo da forma mais proveitosa.

Social Safety
Este é um conceito que valorizo muito e que nos transmite que como líderes o nosso principal papel é cuidar das nossas equipas.
Devemos sempre colocar as nossas pessoas, as nossas equipas em primeiro lugar, criar um clima de segurança que lhes permita serem sinceros sobre as dificuldades que encontram, que crie um clima direcionado à evolução pessoal e profissional, onde as pessoas sentem que falhar faz parte do processo de aprendizagem e que estamos lá para as acompanhar e para as ajudar a ter sucesso. Devemos também reforçar e apostar nos seus pontos fortes mais do que apontar os seu pontos fracos e utilizar o feedback positivo com maior frequência.

Apenas num clima de segurança e confiança as equipas poderão encarar de forma positiva a mudanças e acredito claramente que se colocarmos as pessoas em primeiro lugar tornaremos sempre mais forte e resiliente a nossa organização. Há vários estudos que comparavam que no longo prazo as empresas que melhor servem os seus clientes e que, em consequência, melhor geram retorno para os seus accionistas são aquelas onde os colaboradores se sentem mais envolvidos e satisfeitos com a sua organização. Aconselho a leitura do livro “Leaders eat Last” do escritor Simon Sinek se quiserem aprofundar este conceito.

Em resumo, as mudanças a que estamos sujeitos nas nossas organizações são uma constante da vida empresarial, agora estamos perante a quarta revolução industrial, que parece, como o próprio nome indica, revolucionária, mas bem… o nome também permite perceber que as organizações já passaram por três “revoluções” no passado.

Como líderes deveremos assumir o papel de “capitães” do navio, apontando o caminho, preparando, motivando e apoiando as nossas equipas. É importante mostrar que iremos ultrapassar os desafios em conjunto apontando sempre de forma positiva o que iremos ganhar ou melhorar com as alterações que se avizinham. A nossa atitude fará toda a diferença!


Por Eduardo Clemente, administrador do Standard Bank Angola

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