Líderes portugueses foram ágeis a reagir à pandemia

Desde março de 2020 que todos fomos forçados a recriar as rotinas de trabalho: das medidas de segurança adotadas em cada empresa às teleconferências e trabalho desde casa.

Após quase 12 meses de desafios, o High Play Institute, uma empresa portuguesa de consultoria de Recursos Humanos com sede em Vila Nova de Gaia, fez um estudo de campo entre outubro e novembro de 2020 e revela como o trabalho e as empresas em Portugal foram afetadas.

Foram inquiridas 200 pessoas de médias e grandes empresas, tendo 58% dos entrevistados responsabilidades de liderança nas suas organizações (17% liderança de topo; 49% liderança intermédia; e 32% responsabilidade de supervisão da equipa).

O relatório Survey COVID-19, publicado em janeiro 2021, conclui que a liderança das empresas foi rápida a adotar respostas face à pandemia e manteve-se próxima das pessoas. “Numa perspetiva imediata e de curto prazo, os líderes foram ágeis.”

Embora tudo se tenha precipitado de um momento para o outro, e muitas pessoas viram-se obrigadas a trabalhar desde casa pela primeira vez, os líderes foram muito rápidos na resposta ao COVID-19, quase todos criaram um plano de ação com efeitos imediatos (88%).

De notar que durante a fase de confinamento, tiveram a preocupação de comunicar com frequência com as suas equipas para explicar a situação atual, e os efeitos do COVID-19 (89%).

Maiores desafios

Entre 73%-63% das pessoas referem que os desafios mais preocupantes estiveram relacionados com a diminuição dos fluxos de caixa para manter as pessoas e operações dos negócios, e em relação aos próprios clientes que também foram afetados negativamente pela pandemia.

Em relação à preocupação manifestada pelos lideres face aos seus colaboradores, o estudo mostra que 98,7% dos inquiridos sente que as empresas estão preocupadas com o bem-estar das pessoas, sendo que destes quase 54% estão extremamente preocupados e têm uma atuação diária que expressa isso.

No entanto, explicam os autores do relatório, “percebemos que quase 52% não identifica um planeamento claro de atividades que promovam o bem-estar nesta fase e pós-COVID-19. Fica a dúvida se esse plano realmente existe.”

Ligando este dado menos positivo no estudo e relacionando-o com o facto de não existirem planos de médio e longo prazo para o negócio em muitas situações, o estudo constata “a ausência de um planeamento mais assertivo destas atividades de bem-estar a disponibilizar aos colaboradores para o futuro.”

Impacto no desempenho

Entre outubro e novembro de 2020, a esmagadora maioria dos inquiridos permanecia num modelo de trabalho à distância com algumas presenças nas instalações da empresa, sendo frequentes as equipas em espelho (38%). Enquanto 32% permaneciam totalmente em trabalho remoto.

Uma das conclusões sobre o desempenho dos trabalhadores é que 43% sentia que a sua performance individual tinha sido prejudicada. No entanto, cerca de 20% discordava completamente e 37% discordava moderadamente.

Os fatores que, segundo os inquiridos, mais contribuíram para a perda de performance individual foram o stress (quase 47%), as dificuldades na gestão do tempo (44%), e o equilíbrio da vida profissional-familiar (40%).

Algumas praticas foram enunciadas como “muito úteis” para manter o desempenho das pessoas: o Briefing Matinal Diário (25%); a Partilha de Objetivos Semanais (17%); as Reuniões de Revisão da Estratégia da Equipa (15%) e as Reuniões Globais da Empresa ou Área de Negócio (13%).

Conclusão, os líderes de topo tiveram uma postura calma e não reativa em cima do acontecimento. Mas, ao mesmo tempo, nem sempre se envolveram ou escutaram as pessoas para traçar planos estratégicos para o futuro, destaca o relatório do High Play Institute.

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