Liga 0 – Benfica 7

Um dos temas que mais tem ocupado nesta coluna é a importância das instituições como salvaguarda da credibilidade da democracia. As instituições estão acima dos líderes, a quem compete desenhar estratégias que melhorem a sociedade, protegendo a credibilidade institucional. Esta proteção não se faz com belas palavras orais mas com ações concretas, ricas em valor substantivo e simbólico.

Este sábado houve mais um sangramento institucional. Aparentemente tratava-se apenas de um jogo de futebol entre a B-SAD, essa emanação estatutária do glorioso CF Os Belenenses, e o Benfica. O jogo começou com um estranho B-SAD, com apenas nove jogadores incluindo dois guarda-redes e acabou ao intervalo com os da casa emprestada a perderem por 0-7 e sem jogadores suficientes para continuar. A situação é, como foi dito, escandalosa. Desvirtua a verdade da competição, retira credibilidade ao futebol português, engana quem se predispôs a assistir; enfim, foi uma pequena desgraça.

O mais interessante neste caso não é atacar o Benfica, até porque é possível que os seus rivais tivessem feito o mesmo. Mas a posição da Liga é elucidativa: não lhe terá chegado pedido oficial de adiamento do jogo. Se alguém na Liga tiver lido os jornais terá percebido o que estava escrito nas estrelas. Esta atitude passivo-administrativista é um enorme problema para o país. Como o exemplo vem de cima, ajuda a explicar porque é que por aqui é tão usada a desculpa de que “não posso fazer nada” ou que “isso não é comigo”. Aqui também não foi nada com ninguém mas a Liga saiu goleada.

 


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

 

 

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