Livros para as férias

Mantendo uma boa tradição, eis um conjunto de obras para meter na saca dos livros para ler nas férias. A tradição também manda dizer duas coisas: (1) que se leva mais livros do que se lê, ou seja, que é normal os olhos serem maiores que a barriga e (2) que não há bons livros para as férias porque os bons livros são bons o ano todo.

Que assim seja, mas: (1) sabe bem planear com alguma antecedência aquilo que se quer levar; (2) também não há canções para o Verão, mas discos como Our Favorite Shop dos Style Council vão a matar com o calor. Por isso aqui vai o que vai para a saca.


Meia-noite em Chernobyl
, de Adam Higginbotham (Desassossego). Trata-se de um livro volumoso, com abundantes notas e referências, que mostra a história do devastador desastre nuclear na perspetiva das pessoas. Mais que mostrar uma tragédia sem rosto, este é um livro sobre indivíduos e as suas histórias, no âmbito de uma história maior que é a da URSS. Chernobyl é um daqueles temas cuja consequência faz de cada nova leitura uma outra forma de recordar uma das faces do horror. Impressionante!

 


O mundo-COVID oferece um contexto único para ler De olhos no amanhã, de Éloi Laurent (Ideias de Ler). Trata-se de uma nova contribuição para a sociedade que queremos, nomeadamente no caso da organização da economia. Numa altura em que se pede aos decisores que pensem no que querem manter no pós-COVID, este livro deixa pistas várias. Por exemplo, queremos continuar a construir “sociedades de entregas” ou comunidades socioecológicas com menos espaço, por exemplo, para os gigantescos navios de cruzeiro e para milhares de voos low cost? Mas estaremos realmente dispostos a pagar o preço da mudança?

 


Outro livro que espero ler é Tudo o que não vemos, de Ziya Tong (Lua de Papel), um livro de divulgação científica sobre os ângulos mortos que limitam o que vemos e definem o que não vemos. O mundo é muito mais complexo que aquilo que nos parece. Como todos temos pequenas experiências destas ilusões que nos afetam, eis uma oportunidade de aprendermos a diminuir a vulnerabilidade ao que não vemos, incluindo coisas tão triviais como a qualidade da comida que comemos.

 


Menos interessante para audiências não-académicas mas guardado há um bom par de meses tenho Social Change Theories in Motion, de Thomas Patterson (Routledge). Tenho um interesse particular pela ideia de que tudo está sempre a mudar e um livro que aborda as teorias da mudança social na perspetiva de movimento (e não estática como, paradoxalmente, tão frequentemente acontece) é uma oferta imperdível.

 

 


Menos geral é ainda a última escolha, Unconventional Methodology in Organization and Management Research, de Alan Bryman e David Buchanan (Oxford University Press). Por estranho que possa parecer, um bom livro de métodos de investigação qualitativa é um desafio que tenho dificuldade em recusar. Este é um desses casos. Por duas razões: porque faz o crossover entre a investigação académica e o mundo das artes, com capítulos sobre ficção e o programa Desert Island Discs da BBC. Garantido!

 

Bom Verão para todos.

Por Miguel Pina e Cunha

 

 

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