“Locais de trabalho saudáveis”, em casa ou na empresa?

No âmbito do projeto Ecossistemas dos Ambientes de Trabalho Saudáveis (EATS) para avaliar as condições de saúde e estilos de vida dos profissionais e de que forma as organizações são ecossistemas promotores da saúde e bem-estar, o contributo de Andrea Lima é o caso divulgado esta semana na rubrica: Healthy Workplaces.

Todas as semanas, uma organização, das mais de 40 que integram o projeto, partilha reflexões e práticas de ambientes de trabalho saudáveis em diferentes setores e atividades.

Esta semana, contamos com a partilha e experiência da Doutora Andrea Lima Diretora Executiva Fórum Saúde para O Século XXI responsável pela área de public affairs e de desenvolvimento e coordenação de projetos na área das políticas de saúde. Esta semana refletimos acerca da forma como o teletrabalho, que sofreu uma revolução com a pandemia COVID-19 mas não teve início com esta, se articula com as organizações serem locais de trabalho saudável e promotoras de saúde. No teletrabalho onde fica o local de trabalho? Tema que nos remete para a relevância da perspetiva de Ecossistema.

“O que é um lugar saudável para trabalhar? Esta é uma pergunta com múltiplas respostas.

Será um lugar onde a interação entre os colaboradores e as chefias é feita com respeito pela diversidade e onde as pessoas são valorizadas pelo seu verdadeiro mérito? Onde a transparência de avaliação é incentivada e motivadora?

Ou será um local onde se valoriza a sustentabilidade ambiental utilizando no seu espaço toda a tecnologia para o tornar mais ecológico?

Ou basta apenas a existência de canais internos que facilitem a denuncia e dificultem o assédio em todas as suas formas?

Também poderíamos considerar que bastaria termos à disposição de todos os colaboradores refeições saudáveis, decoração acolhedora, oferta de seguros de saúde, ou ainda muitas ações de formação e motivação de equipas.

Nos últimos anos, muitas empresas, especialmente as grandes consultoras e tecnológicas, começaram a dar os primeiros passos no chamado teletrabalho.

Muitas disponibilizavam aos seus colaboradores a possibilidade de trabalharem a partir de casa pelo menos um dia por semana, vendo nesta forma uma maneira de agradar os seus colaboradores, mas também de economizar muito dinheiro não só em instalações, mas também em toda a logística empresarial.

Mas, ainda estávamos muito no início. Como poderíamos avaliar o trabalho e o colaborador à distância? E a produtividade seria a mesma? Quais seriam as actividades compatíveis com o teletrabalho? Estas eram apenas alguma das questões que se colocavam relativamente a essa modalidade.

Mas tudo mudou com a pandemia!

O teletrabalho tornou-se a regra e não exceção. Todos nós (novos e menos novos) passámos a utilizar ferramentas que até então desconhecíamos.

Deixámos de viajar para termos reuniões que passaram a serem efetuadas na nossa sala de estar em frente a um ecrã.

A tecnologia abriu-nos as portas de casa e possibilitou-nos a Descoberta de um Novo Mundo Maravilhoso.

Numa primeira fase sentimo-nos mais próximos que nunca, fizemos e assistimos a milhares de webinares, reuniões e conferências.

Mas, como tudo na vida, chega aquele momento em que já não aguentamos mais.

No início deste ano o CEO da Google tornou público que a partir de setembro os trabalhadores teriam que voltar ao escritório. Estava dado o primeiro sinal de alerta!

Um retrocesso? Acredito que não!

Uma das necessidades básicas do ser humano é a convivência. Não se consegue gerar “espirito de equipa” sem juntarmos as pessoas!

As empresas são feitas de pessoas e para pessoas, mas estas têm de interagir entre elas para se sentirem parte da organização, sem isso não vestimos a camisola da empresa e não nos sentimos desafiados e motivados para crescer nas organizações.

O outro problema que o teletrabalho a tempo integral veio retirar foi a privacidade e o refúgio do nosso lar, essencial para recuperarmos dos “maus dias no trabalho”.

Tudo isto veio evidenciar os problemas da saúde mental — que já existiam — e o aumento das situações de depressão e burnout.

Em suma, assistimos a uma enorme saturação que se traduz numa desmotivação geral, tanto a nível profissional como pessoal.

O facto de não existirem fórmulas perfeitas para termos um local de trabalho perfeito não invalida que retiremos muitas lições desta experiência aproveitando o que de melhor aconteceu e caminharmos assim para que no futuro possamos ter locais de trabalho cada vez mais adaptados as nossas necessidades tornando-os sítios mais saudáveis e nos quais nos sentimos como em casa.”

Nota: Artigo escrito no âmbito do projeto Ecossistemas dos Ambientes de Trabalho Saudáveis (EATS) para avaliar as condições de saúde e estilos de vida dos profissionais e de que forma as organizações são ecossistemas promotores da saúde e bem-estar.Todas as semanas, uma organização, das mais de 40 que integram o projeto, partilha reflexões e práticas de ambientes de trabalho saudáveis em diferentes setores e atividades.


Por Andreia Lima, Diretora Executiva FÓRUM SAÚDE PARA O SÉCULO XXI

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