Marian Salzman: Num mundo online, temos de “saber selecionar as conversas e ouvir apenas o que queremos ouvir”, aconselha a vice-presidente da Philip Morris

Temos assistido nas últimas décadas a uma revolução na forma como comunicamos, criando um mundo onde podemos ver amigos e familiares em todo o mundo com um clique. A pandemia acelerou a mudança para o teletrabalho, com cada vez mais locais de trabalho a usarem tecnologia na comunicação entre colegas.

No entanto, a rápida mudança na maneira como nos conectamos tem as suas desvantagens. Os especialistas preocupam-se com o impacto do uso das redes sociais e põem várias questões: esses novos modos de comunicação afetarão a nossa capacidade de criar relacionamentos com significado? Como captar a atenção das pessoas neste mundo online? O que podemos aprender com a vida online que temos tido?

Na opinião de Marian Salzman, vice-presidente sénior para a área da Comunicação da empresa líder na produção de cigarros, Philip Morris International, aprendemos que podemos usar as 24 horas do dia de forma flexível e menos rígida. Por exemplo, já lhe aconteceu, começar a trabalhar às três da manhã e acabar à uma e meia da tarde- “o que pude fazer no resto do dia foi um luxo”, desabafou durante um evento da Economist da série “Meet the ChangeShapers: Changing how we connect with one another”.

Num mundo online, em que o “ruído” da informação pode ser ensurdecedor, Marian Salzman, considerada uma das principais criadoras de tendências do mundo, aconselha a “ouvir o que queremos ouvir.” Acredita que as pessoas têm a facilidade de poderem desligar e saltar para o seu mundo interior, aquele que podem controlar. A ideia é “participar nas conversas que nos interessam”, “valorizar o que nos interessa”, excluindo o resto.

Esta forma de estar fará parte do “novo normal”, defende a premiada executiva de relações públicas, que se considera uma otimista da vida online e defensora das redes sociais. “Cada um tem de ser editor e fazer a curadoria da informação que lhe chega das mais variadas fontes.”

Licenciada com honras pela Brown University, Marian foi CEO da consultora de relações públicas Havas PR North America quase durante uma década. Nesta posição, reformulou a produção criativa da empresa, criando uma das agências boutique mais conhecidas da América do Norte.

Em reconhecimento a esses esforços, foi, em 2011, nomeada Profissional de RP do Ano pela PRWeek. Antes da Havas PR, Marian tinha passado pelo mundo da publicidade: foi diretora de marketing da Porter Novelli, da JWT Worldwide e diretora estratégica da Euro RSCG Worldwide (Havas Creative).

É ainda autora ou coautora de 17 livros, incluindo Buzz, o primeiro livro de grandes negócios sobre buzz marketing, e o mais recente, Agile PR: Expert Messaging in a Hyper-Connected, Always-on World.

Em 2018, Marian deixou a indústria de publicidade, mudando-se para a Suíça para embarcar num grande desafio: liderar as comunicações globais da Philip Morris International, onde assumiu como missão construir um futuro sem fumo. Promover o fim dos cigarros como responsável pela comunicação da empresa líder na produção de cigarros parece gralha- mas não é.

Em Portugal, a americana Philip Morris tem como subsidiária a Tabaqueira, que é a maior empresa de tabaco a nível nacional. Localizada em Albarraque, no concelho de Sintra, a fábrica da Tabaqueira é um dos maiores centros de produção da Philip Morris International na União Europeia e também uma das principais empresas exportadoras do nosso país.

 

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