Máscaras impedem a disseminação da COVID-19? Mais de 60 estudos científicos têm a resposta

Um megaestudo científico veio demonstrar que, durante um período de 13 anos, aqueles profissionais de saúde que usavam máscaras, qualquer tipo de máscara, evitaram contrair o novo coronavírus, incluindo a COVID-19.

“Em geral, se olharmos para os que usavam máscara face aos que não usavam, o risco de serem infetados cai para um valor entre 50% e 80%”, defende o responsável por um estudo de análise de outros 64 estudos.

A investigação da Oregon Health & Science University (OHSU), financiada pela Organização Mundial da Saúde, confirmou o que grande parte da comunidade médica já sabia: até as máscaras cirúrgicas comuns, que não são feitas para filtrar partículas do ar que respira, conseguem reduzir o número de médicos e enfermeiros infetados por coronavírus em contextos clínicos.

Enquanto os respiradores N95, preparados para filtrar agentes patogénicos, juntamente com equipamentos de proteção completos, incluindo viseiras e luvas, podem ajudar ainda mais.

Um artigo científico, ou megaestudo, liderado por Roger Chou, diretor do Centro de Práticas do Noroeste do Pacífico da OHSU e professor de Medicina na Escola de Medicina da OHSU, analisou os resultados de 64 estudos separados sobre o impacto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) na transmissão do vírus.

Os relatórios são de 2003 relativos à MERS (relatados pela primeira vez em 2012) e incluíram alguns estudos iniciais sobre SARS-Cov-2 (o vírus que causa a COVID-19).

As máscaras cortam consistentemente as taxas de infeção ao longo dos estudos, levando Chou a acreditar que qualquer máscara, tanto cirúrgica como N95, reduz o risco de transmissão de coronavírus.

Outra constatação é que quanto mais tipos de EPI “sobrepuser”, como máscaras, luvas, viseiras, etc., melhor. Mas neste caso os dados não são tão claros como são quando falamos de usar máscara ou não usar máscara.

Outra conclusão consistente a que a equipa de Chou chegou em todos os estudos foi que oferecer aos profissionais de saúde formação sobre como usar EPI reduzia também o risco de infeção. “Portanto, isto diz-nos que não se trata apenas de dar às pessoas o equipamento, mas de entender como usá-lo adequadamente”, diz o responsável à revista Fast Company.

Explica ainda que as máscaras cirúrgicas não são complicadas de usar de forma adequada, mas os N95 exigem algum conhecimento sobre como conseguir que se adaptem perfeitamente ao rosto. E com qualquer máscara, não deve tocar na frente ao colocá-la ou tirá-la. “São hábitos mecânicos bastante simples”, diz Chou.

O maior problema com a formação em EPI, diz, é que os profissionais de saúde não sabem se devem ou não usar máscara em determinada situação. É por isso que hospitais, como fez o OHSU, têm a norma de que o uso da máscara dentro do edifício deve ser o tempo todo.

Devemos usar máscaras fora de casa?
Se está comprovado que as máscaras impedem a disseminação do coronavírus em ambientes hospitalares, o mesmo não deve ser verdade para toda a população? Chou ressalta que os dados para uso de EPI em público são ainda mais escassos do que para uso em hospitais, porque há menos pesquisas sobre o assunto e os estilos e materiais das máscaras que as pessoas usam variam muito mais do que na área da saúde.

Ainda assim, recomenda que as pessoas usem máscaras quando saem à rua. “O bom senso diz-nos que ter algum tipo de barreira provavelmente é bom”, diz ele. Mas, “é difícil saber exatamente em quanto esses comportamentos reduzirão a transmissão.”

Apesar dos benefícios do uso de EPI em público sejam difíceis de quantificar, Chou acredita que os resultados do seu estudo são totalmente aplicáveis aos espaços privados, porque o ambiente fechado das nossas casas é semelhante ao de um hospital.

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